O sentimento com o futuro das empresas de serviços dos EUA sobre o futuro atingiu em maio o segundo pior nível desde outubro de 2022 – ou seja, em 31 meses -, segundo os dados preliminares do PMI divulgados nesta quinta-feira (21) pela S&P Global.
O indicador de expectativas para os próximos 12 meses no setor recuou ao piso desde abril de 2025, refletindo preocupações crescentes com a demanda, a escalada de preços, juros elevados e incerteza política.
O contraste com o setor industrial é marcante: as fábricas registraram o maior otimismo desde fevereiro de 2025, animadas pela retomada de pedidos e pelas perspectivas de reshoring ligado a tarifas.
“O impacto econômico danoso da guerra no Oriente Médio está se tornando cada vez mais evidente nas pesquisas empresariais. Os dados do PMI de maio registraram crescimento apenas modesto da atividade, com a demanda novamente comprimida por uma nova alta de preços e cortes de empregos à medida que as empresas se preocupam com custos crescentes e perspectivas econômicas”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
Atividade estável nos EUA, mas fragilidade à espreita
O índice composto PMI ficou em 51,7 em maio, estável em relação a abril, mas o crescimento acumulado nos últimos três meses — desde o início da guerra — é o mais fraco desde o começo de 2024. O PMI de serviços recuou levemente para 50,9, enquanto o industrial disparou para 55,3 — maior nível em 48 meses.
O setor industrial foi o único a registrar crescimento de empregos, no maior ritmo em 11 meses, enquanto o setor de serviços cortou postos de trabalho no segundo ritmo mais acelerado desde maio de 2020. No geral, o emprego caiu pelo segundo mês nos últimos três, com a taxa de perda de vagas no maior patamar desde agosto de 2024.
“Vindo na esteira de uma leitura fraca em abril, o PMI de maio indica que a economia terá dificuldade em sustentar crescimento anualizado do PIB muito acima de 1% no segundo trimestre”, disse Williamson.
Inflação de custos no maior nível desde 2022
O ponto mais preocupante do relatório está nos preços. Os custos de insumos dispararam em maio ao ritmo mais acelerado desde novembro de 2022, puxados por restrições de oferta ligadas à guerra e pelo salto nos preços de energia.
As fábricas reportaram o maior alongamento de prazos de entrega de fornecedores desde agosto de 2022, com nove meses consecutivos de piora nas cadeias. Os preços finais cobrados dos clientes subiram ao maior ritmo desde agosto de 2022, com os bens industriais registrando a maior alta desde setembro daquele ano.
“Os custos das empresas saltaram a um ritmo não visto desde o choque de preços de energia de 2022 e estão sendo repassados aos clientes na forma de preços de venda significativamente mais altos. Os indicadores de preços da pesquisa sugerem, portanto, que a inflação deve subir ainda mais justamente quando a economia desacelera”, alertou Williamson.
E completou: “Em média, nos últimos três meses, o crescimento das carteiras de pedidos desacelerou ao nível mais fraco em dois anos, e o impulso das compras preventivas de estoques não durará para sempre.”
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