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Entenda a “guerra do delivery” entre iFood, Mercado Livre e Rappi

Entenda a “guerra do delivery” entre iFood, Mercado Livre e Rappi

Rappi aposta em entregas de 10 a 30 minutos via dark stores, enquanto Mercado Livre avança com logística de same-day delivery

O iFood é a força dominante no delivery de restaurantes no Brasil — e está longe de entregar essa posição. Mas a batalha que se desenha agora vai muito além da comida pronta. É essa a leitura dos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual, que mapearam a guerra entre iFood, Mercado Livre e Rappi pelo controle do consumo cotidiano brasileiro.

“O iFood processou 1,26 bilhão de pedidos em seu último ano fiscal, alta de 29% ano a ano, enquanto o GMV (Volume Bruto de Mercadorias) cresceu 32%”, destacam os analistas.

A plataforma reúne cerca de 55 milhões de usuários ativos, 400 mil estabelecimentos parceiros e opera em 1.500 cidades brasileiras. Com mais de 70% do mercado de delivery de restaurantes e aproximadamente 57% do ecossistema mais amplo de entrega online, o iFood construiu um fosso competitivo que o próprio Uber Eats não conseguiu superar — e acabou saindo do Brasil em 2022.

Guerra

Mas o campo de batalha mudou.

“O ponto estratégico central é que o iFood não é mais apenas um marketplace de restaurantes”, alertam os analistas.

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A empresa usa a mesma infraestrutura logística, base de consumidores e rede de entregadores para expandir para supermercados, farmácias e serviços financeiros — o clássico playbook do super-app. A receita das iniciativas de crescimento subiu 34% para US$ 214 milhões no último ano fiscal, com o vertical de supermercados gerando US$ 78 milhões sozinho e reduzindo seu prejuízo operacional em US$ 43 milhões.

As farmácias emergem como o vertical de crescimento mais acelerado.

“Os pedidos de farmácias cresceram 78% em 2024, tornando-se a categoria de maior expansão dentro do ecossistema”, apontam Guanais, Cesquim e Cendon. A rede de farmácias parceiras saltou de 15 mil para 20 mil estabelecimentos, cobrindo quase 900 cidades.

Rappi e Mercado Livre

A concorrência, porém, chegou com força. A Rappi aposta em entregas de 10 a 30 minutos via dark stores com seu serviço Rappi Turbo. O Mercado Livre, por sua vez, expande uma das maiores infraestruturas logísticas da América Latina para same-day delivery de supermercados e farmácias. A Amazon também entrou no jogo, com o Amazon Now oferecendo entregas em 15 minutos em São Paulo.

“A competição está cada vez mais se deslocando de categorias individuais para ecossistemas de plataformas que competem pela frequência do consumidor”, concluem os analistas.

“O vencedor pode ser determinado menos pela participação em restaurantes e mais por qual plataforma se torna o app padrão para o consumo cotidiano.” A guerra do delivery, no fundo, é uma guerra por hábito.