A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 81,1% do PIB em maio de 2026, equivalente a R$ 10,6 trilhões, alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. No acumulado do ano, o indicador avançou 2,4 pontos percentuais do PIB, pressionado principalmente pela incorporação de juros nominais.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, mais que o dobro do déficit de R$ 33,7 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. O Governo Central foi o principal responsável pelo resultado negativo, com déficit de R$ 55,2 bilhões, seguido pelos governos regionais, com R$ 1,2 bilhão.
As empresas estatais, por sua vez, registraram superávit de R$ 0,3 bilhão. Em doze meses, o déficit primário acumulado chegou a R$ 149,0 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB — 0,16 ponto percentual acima do acumulado até abril.
Juros nominais pressionam resultado fiscal
Os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 107,5 bilhões em maio, ante R$ 92,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior, refletindo o aumento no estoque do endividamento líquido. No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$ 1,111 trilhão, equivalente a 8,48% do PIB, ante 7,74% do PIB no mesmo período até maio de 2025.
O resultado nominal do setor público consolidado — que soma o resultado primário aos juros nominais — foi deficitário em R$ 163,7 bilhões no mês, com o déficit nominal acumulado em doze meses atingindo R$ 1,260 trilhão, ou 9,62% do PIB.
Dívida líquida também avança no mês
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 67,9% do PIB, equivalente a R$ 8,9 trilhões, alta de 0,7 ponto percentual no mês. O resultado refletiu sobretudo os impactos dos juros nominais apropriados, do déficit primário e da desvalorização cambial de 1,4% no período, parcialmente compensados pelo efeito da variação do PIB nominal.
No acumulado do ano, a DLSP cresceu 2,7 pontos percentuais do PIB, impulsionada principalmente pelos juros nominais e pela desvalorização cambial acumulada de 8,1% no período.
Já a DBGG, que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais, teve sua evolução mensal explicada principalmente pelos juros nominais apropriados, pelas emissões líquidas de dívida e pelo efeito da desvalorização cambial, parcialmente compensados pelo crescimento do PIB nominal.
O cenário fiscal segue sob pressão, com o crescimento do endividamento público mantendo-se como um dos principais pontos de atenção para investidores e formuladores de política econômica nos próximos meses.






