O Dia dos Namorados deve ser uma das principais datas do varejo brasileiro em 2026. Segundo análise da XP, assinada por Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, o período apresenta sinais de desempenho sólido, mesmo em um cenário ainda marcado por cautela no consumo e maior pressão sobre o orçamento das famílias.
De acordo com estimativas da CNDL/SPC Brasil citadas no relatório, 61% dos brasileiros pretendem comprar presentes para a data, acima dos 57% registrados no ano passado. A expectativa é que o Dia dos Namorados movimente mais de R$ 26,4 bilhões no comércio e em serviços, alta de cerca de 20% na comparação anual. Ao todo, aproximadamente 100 milhões de consumidores devem ir às compras.
O gasto médio esperado é de R$ 264 por consumidor. Entre as classes A e B, o valor sobe para R$ 295. Para a XP, os números indicam uma data forte para o varejo, embora parte dos consumidores continue priorizando disciplina financeira.
Moda, beleza e chocolates lideram intenção de compra
Entre as categorias mais procuradas, vestuário, calçados e acessórios aparecem na liderança, mencionados por 52% dos consumidores. Em seguida vêm produtos de beleza, com 31%, e chocolates, com 26%.
O clima mais frio também pode favorecer as vendas de roupas, segundo a XP. Maio foi um dos meses mais frios dos últimos seis anos, o que tende a estimular a busca por itens de vestuário. Por outro lado, as camisas da Seleção Brasileira podem disputar espaço no orçamento dos consumidores, especialmente por causa da proximidade com a Copa do Mundo.
Ainda assim, a XP não vê o torneio como um risco relevante para o Dia dos Namorados. O relatório avalia que o impacto pode ser mais sentido entre consumidores de menor renda, que podem dividir o orçamento entre presentes, encontros sociais e outros gastos ligados aos jogos.
E-commerce cresce, mas loja física segue forte
O comércio eletrônico também deve ganhar força na data. A ABIACOM estima vendas online de R$ 10,26 bilhões no Dia dos Namorados de 2026, avanço de 10,8% em relação ao ano anterior. O crescimento deve vir principalmente do aumento no volume de pedidos, enquanto o ticket médio tende a permanecer estável.
Apesar do avanço digital, as lojas físicas continuam como principal destino de compra. Segundo a pesquisa da CNDL/SPC, 53% dos consumidores pretendem comprar presencialmente. Já o e-commerce foi citado por 41% dos entrevistados, alta de 4 pontos percentuais frente ao ano passado.
Varejistas apostam em marca e experiência
Além das promoções, as empresas estão usando o Dia dos Namorados como uma oportunidade para reforçar posicionamento de marca. A Arezzo lançou uma collab com a Fila, unindo moda, esporte e lifestyle em produtos como tênis, bolsas e acessórios.
A C&A, por sua vez, apostou na campanha “Desapega com a C&A”, que oferece desconto para clientes que doarem peças em lojas participantes. No setor de beleza, Natura e O Boticário investem em kits, fragrâncias e campanhas com celebridades. Já a Vivara trabalha uma narrativa premium, com foco em joias e lab-grown diamonds.
Mesmo com inadimplência elevada e inflação mais pesada para famílias de baixa renda, o Dia dos Namorados deve manter sua relevância no calendário do varejo. Para a XP, a combinação de apelo emocional, variedade de categorias e avanço dos canais digitais sustenta uma perspectiva positiva para a data.






