A senadora democrata Elizabeth Warren, de Massachusetts, alertou nesta quinta-feira (17) que os mercados financeiros dos Estados Unidos podem entrar em um colapso caso ocorra uma eventual demissão do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pelo presidente Donald Trump. Ela deu declaração depois de Trump ter feito duras críticas ao líder do banco central norte-americano.
“Se o presidente Powell puder ser demitido pelo presidente dos Estados Unidos, isso causará um colapso nos mercados dos EUA”, afirmou Warren, que é membro sênior do Comitê Bancário do Senado e uma crítica frequente de Powell. “A infraestrutura que sustenta o mercado de ações – e a economia global – baseia-se na ideia de que as grandes peças se movem independentemente da política.”
As declarações da senadora ocorreram poucas horas depois de Trump afirmar, em sua rede social, que a “demissão do presidente do Fed não pode acontecer rápido o suficiente”. O presidente também voltou a cobrar publicamente uma redução das taxas de juros, criticando Powell por agir “tarde demais e errado” nas decisões monetárias, especialmente em comparação com o Banco Central Europeu, que anunciou nesta quinta-feira seu sétimo corte de juros consecutivo.
Demissão de Powell não deve ser considerada uma ameaça formal
Apesar do tom agressivo, um alto funcionário da Casa Branca afirmou à CNBC que os comentários do presidente norte-americano não devem ser interpretados como uma ameaça formal de demissão e que não há planos concretos para encerrar o mandato de Powell antes do prazo, que vai até maio de 2026.
O próprio Jerome Powell já afirmou em ocasiões anteriores que o presidente dos EUA não tem autoridade legal para demiti-lo. Segundo ele, a independência do Fed é um princípio fundamental da política econômica americana.
Warren reforçou a importância da autonomia do banco central e criticou qualquer tentativa de uso político da autoridade monetária. “Se as principais alavancas econômicas estiverem sujeitas a um presidente que só quer acenar com sua varinha mágica, então os EUA serão indistinguíveis de qualquer outra ditadura de segunda categoria no mundo”, disse.
Powell: tarifas são mais alta do que o esperado
O presidente do Fed afirmou ontem que as tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, superaram até mesmo os cenários mais pessimistas preparados pelo banco central. A declaração foi feita durante um evento do Economic Club of Chicago.
“As tarifas são maiores do que os analistas esperavam, certamente maiores do que esperávamos, mesmo em nosso cenário mais alto”, afirmou Powell, reforçando que os impactos das medidas são mais intensos do que o previsto.
A sinalização de Powell é clara: as tarifas de Trump não são apenas mais altas do que o previsto — elas podem ter efeitos macroeconômicos duradouros. Ao onerar importações e mexer com as cadeias globais de produção, essas tarifas pressionam custos internos e geram incertezas para as empresas, o que afeta investimentos, preços e, por consequência, o emprego.
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