O Ministério do Comércio da China anunciou um plano com 11 medidas para estimular o consumo doméstico de bens e serviços.
As políticas terão como objetivo “restaurar e expandir” o consumo em larga escala, além de promover a aquisição de automóveis e produtos eletrônicos, e expandir o consumo em áreas rurais, segundo a autoridade.
Entre as diretrizes, há iniciativas para aumentar a renda familiar, melhorar o ambiente de negócios para empresas privadas e estabilizar o mercado de trabalho para jovens.
Os governos locais também deverão trabalhar para intensificar a reforma de casas antigas, incentivar melhorias nas plataformas e-commerce e desenvolver o conceito de cidades que possam suprir necessidades de serviços básicos de seus habitantes.
Recuperação econômica da China ainda é lenta
O processo de recuperação econômica da China ainda enfrenta dificuldades, sem o impulso necessário e com a confiança do consumidor fraca, disse Jin Xiandong, funcionário da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), nesta terça-feira (18).
“O poder de compra e as expectativas do consumidor estão relativamente fracos, enquanto a infraestrutura e o ambiente de consumo também precisam ser melhorados”, acrescentou.
Na segunda-feira (17), dados econômicos mais fracos do que o esperado fomentaram os pedidos de agentes do mercado ao governo para impulsionar o crescimento da economia. As autoridades chinesas sinalizaram nas últimas semanas que provavelmente serão criteriosas e objetivas na concessão de estímulos.
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O PIB da China no segundo trimestre cresceu 6,3% em relação ao ano anterior, abaixo das expectativas do mercado de 7,3%. O crescimento em relação ao primeiro trimestre de 2023 foi de de 0,8%, desacelerando de um aumento de 2,2% nos três primeiros meses do ano.
Mesmo com uma base de comparação baixa no ano passado, diante da política de covid zero em Xangai, o crescimento das vendas no varejo desacelerou para 3,1% em junho, em relação ao ano anterior. Em maio, o país registrou um avanço de 12,7%.
Jovens chineses enfrentam desemprego recorde
O governo chinês também prometeu lidar com o desemprego juvenil recorde na China, que chegou a 21,3% em junho – quase quatro vezes mais do que o desemprego urbano de 5,2%.
Em resposta às questões relacionadas a grupos específicos, como universitários graduados, o porta-voz disse que a NDRC “intensificará as garantias de serviços e o apoio à expansão do mercado de trabalho”.
A Comissão também guiará os jovens que queiram empreender, além de trabalhar no desenvolvimento da educação para que os universitários tenham maiores chances de garantir um emprego.
O governo deve incentivar um aumento salarial que seja compatível com o crescimento econômico do país.
Economistas veem o potencial de aumento salarial como um aspecto importante para aumentar a confiança do consumidor e, consequentemente, o crescimento econômico.
Incentivo a empresas privadas estrangeiras
Li Hui, funcionário da NDRC, afirmou que o governo chinês deve se dedicar à reforma das empresas estatais, ao mesmo tempo em que removerá as barreiras institucionais para ajudar companhias privadas a se tornarem mais competitivas.
A Comissão também deve se debruçar sobre o setor privado para entender melhor suas necessidades e avaliar a eficácia das políticas propostas.
A NDRC quer atrair investimentos estrangeiros com uma melhor comunicação por meio de câmaras de comércio internacionais, a fim de resolver problemas em tempo hábil.
A promessa segue na linha de falas do presidente chinês Xi Jinping em junho. Na época, ele disse que a China “promoverá vigorosamente a reabertura econômica e protegerá os direitos e interesses dos investidores estrangeiros”.
As propostas do governo chinês vêm em meio à embates com os Estados Unidos, que consideram restringir seus investimentos na China diante da busca pela supremacia tecnológica.
No início de julho, Pequim impôs restrições à exportação de metais para fabricação de chips. O Ministério do Comércio da China alegou ter avisado os EUA e a Europa sobre a medida com antecedência.
Em seguida, em outubro, os EUA implementaram regras para cortar as exportações de chips e ferramentas de semicondutores para a China.