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Câmara aprova urgência para projeto que suspende decreto do IOF do governo Lula

Câmara aprova urgência para projeto que suspende decreto do IOF do governo Lula

Câmara aprova urgência para suspender IOF de Lula por 346 a 97 votos, com apoio da base governista em meio a tensões sobre emendas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (16) um requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto que suspende os efeitos do decreto do governo Lula que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A votação teve 346 votos a favor e 97 contrários, evidenciando amplo apoio à medida.

O requerimento, apresentado pelo deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, recebeu apoio não apenas da oposição, mas também de parlamentares do PP, União Brasil, Republicanos e PSD — partidos que integram a base do governo e comandam ministérios na Esplanada dos Ministérios.

Com a aprovação da urgência, a proposta poderá ser votada diretamente no plenário, sem passar pelas comissões temáticas da Casa. No entanto, a votação do mérito ainda não tem data definida para acontecer.

Descontentamento com emendas parlamentares

Embora o discurso oficial seja de que não existe clima no Congresso para aprovar aumento de impostos, nos bastidores, os deputados demonstram descontentamento com o ritmo de pagamento das emendas parlamentares e querem enviar um recado ao Executivo.

Segundo um deputado da oposição, a estratégia é deixar o governo “sangrar” com a urgência aprovada para continuar negociando um acordo sobre as emendas e o pacote de medidas que propõe substituir o aumento do IOF.

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A tensão foi intensificada por uma decisão recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que cobrou explicações sobre a destinação de verbas de parte das emendas parlamentares. O ministro deu 10 dias para o Congresso explicar um orçamento “paralelo” de R$ 8,5 bilhões atrelado ao Palácio do Planalto.

Reação do presidente da Câmara

O despacho do ministro incomodou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou a líderes da base governista que os projetos de interesse do Palácio do Planalto não terão trânsito na Casa e sequer serão pautados se o pagamento de emendas parlamentares for novamente paralisado.

A urgência foi votada mesmo após uma reunião de ministros do governo Lula com líderes e o presidente da Câmara no início da tarde desta segunda-feira.

Recuo parcial do governo

Na semana passada, o governo já havia recuado parcialmente do aumento do IOF. Em novo decreto publicado na quarta-feira (11), a alíquota fixa foi reduzida de 0,95% para 0,38% em operações de crédito. Contudo, a alíquota diária foi mantida em 0,0082%, o dobro do valor anterior de 0,0041% ao dia.

O governo também fez ajustes no tributo sobre “risco sacado” — operação em que um banco antecipa o pagamento de uma fatura que é cobrada posteriormente do cliente — e sobre aportes em VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

Para os aportes em VGBL, o IOF passou a incidir somente sobre valores que excedam R$ 300 mil em 2025, considerando uma mesma seguradora. A partir de janeiro de 2026, esse limite subirá para R$ 600 mil, com o objetivo de evitar impactos operacionais no setor de seguros.

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