A agenda de ajuste fiscal implementada pelo presidente argentino Javier Milei pode servir de inspiração para o próximo governo do Brasil. Essa é a avaliação do Goldman Sachs, que aponta a Argentina como um possível laboratório regional de reformas econômicas, desde que os resultados positivos se confirmem ao longo do tempo.
Em entrevista publicada na research do banco, o chefe de research macroeconômico para a América Latina do Goldman, Alberto Ramos, afirmam que o sucesso da consolidação fiscal argentina pode influenciar o debate político e econômico em outros países da região, incluindo o Brasil, especialmente em um contexto de restrições fiscais persistentes e crescimento estruturalmente baixo.
A leitura faz parte de uma análise mais ampla sobre a América Latina, que projeta expansão econômica modesta em 2026, mas com trajetórias bastante distintas entre países como Argentina, Brasil e Peru.
Argentina vira referência regional com agenda de ajuste fiscal
No caso argentino, o Goldman Sachs avalia que o governo Milei começa a reunir condições para recolocar o país no radar dos investidores internacionais, inclusive com a possibilidade de retorno ao mercado de títulos soberanos. Segundo o banco, a direção da política econômica já desperta atenção além das fronteiras do país.
Para Ramos, a experiência argentina pode ganhar status de referência regional caso os resultados econômicos se consolidem ao longo do tempo.
“As políticas de Milei inspiraram outros atores políticos na região. Se as reformas resultarem em um desempenho econômico mais forte, as pessoas podem passar a enxergar que a consolidação fiscal, após alguns trimestres, melhora o ambiente macroeconômico e social”, afirmou o economista.
A avaliação é que, mais do que o discurso, será a materialização dos resultados — como retomada da atividade, melhora da renda e maior fluxo de capitais — que determinará o alcance da influência argentina sobre outros países.
Brasil: juros devem cair, mas fiscal segue como ponto de atenção
No Brasil, o Goldman Sachs projeta cortes de juros ao longo de 2026, com a taxa básica recuando cerca de 2,5 pontos percentuais, caindo para 12,5%. Ainda assim, o banco avalia que o impacto sobre o crescimento tende a ser limitado, já que a política monetária deve permanecer em nível restritivo.
Além disso, a instituição mantém uma postura cautelosa em relação ao quadro fiscal brasileiro, sobretudo em um ano eleitoral. Segundo o banco, a ausência de um compromisso mais firme com o controle de gastos segue como um dos principais fatores de risco para a trajetória macroeconômica do país.
É nesse contexto que a agenda argentina passa a ser observada como uma possível referência. De acordo com o Goldman, caso o ajuste fiscal liderado por Milei produza resultados sustentáveis, o tema da consolidação fiscal pode ganhar mais espaço no debate político brasileiro no próximo ciclo de governo.
Leia também:
Peru se destaca como principal motor de crescimento da região
Enquanto Argentina e Brasil concentram atenções no debate fiscal, o Peru aparece como o país com melhor perspectiva de crescimento na América Latina em 2026, segundo o Goldman Sachs. A projeção é de expansão de 3,1% do PIB, impulsionada pelo bom momento das commodities — especialmente cobre e ouro — e por uma política macroeconômica considerada sólida.
Mesmo em meio a instabilidade política recorrente, o banco destaca que o país andino mantém credibilidade monetária, inflação baixa e contas externas equilibradas, fatores que ajudam a blindar a economia do ruído institucional.
Destaque do Peru já estava no radar da EQI Research
A leitura positiva sobre o Peru não é novidade para quem acompanha a EQI Research. Em novembro, o analista Marink Martins destacou o desempenho do país andino na Global Investor Portfolio, a carteira internacional da casa de análises da EQI, ressaltando o bom momento macroeconômico e a exposição favorável às commodities.
Na ocasião, apesar de ajustes pontuais na carteira internacional, o Peru permaneceu como um dos mercados de maior destaque dentro da estratégia global da casa.
Quer conhecer a carteira internacional da EQI Research?
A Global Investor Portfolio reúne exposição a diferentes regiões do mundo, incluindo mercados emergentes como Peru e Argentina, com gestão ativa e visão macro global. Clique aqui e conheça a carteira internacional completa no EQI+.






