O cenário para o aço nacional começou a dar sinais de melhora, mas ainda há um obstáculo importante no caminho dos produtores brasileiros: a demanda doméstica. Essa é a principal leitura do BTG Pactual (BPAC11) a partir dos dados de julho do Instituto Aço Brasil (IABr), que mostraram uma forte queda nas importações, mas também um consumo ainda enfraquecido.
As importações totais de aço recuaram 38% na comparação anual em julho, para 383 mil toneladas. Na comparação mensal, a queda foi de 27%. Com isso, a participação do produto importado no mercado de aços planos caiu para 16%, ante 21% um ano antes. Entre os produtos longos, a penetração recuou de 13% para 11%.
Para as siderúrgicas brasileiras, o movimento é uma notícia positiva. A menor entrada de aço estrangeiro reduz a pressão sobre os produtores locais e abre espaço para uma recuperação de participação de mercado. O problema é que esse alívio ainda não veio acompanhado de uma retomada mais firme das vendas.
“É uma boa leitura para as importações”, avalia o BTG, mas o banco ressalta que a demanda continua sendo a peça que falta para uma recuperação mais consistente do setor.
O que esperar para as empresas do setor?
É justamente nesse ponto que a análise do BTG fica mais interessante para o investidor. Embora o ambiente doméstico ainda seja desafiador, o banco mantém Ternium e Gerdau (GGBR4) como suas principais escolhas no setor de siderurgia.
PublicidadePublicidadeA preferência pelas duas empresas está relacionada, principalmente, à exposição relevante aos mercados de aço da América do Norte. Na avaliação do BTG, o ambiente competitivo nessa região é mais favorável aos produtores, com aumentos sequenciais de preços e tendências positivas de volume.
A Ternium é negociada atualmente a cerca de 3,5 vezes o EV/EBITDA estimado para 2027 e apresenta um yield de fluxo de caixa livre de aproximadamente 13%. Já a Gerdau negocia a cerca de 3,7 vezes o EV/EBITDA de 2027, com yield de fluxo de caixa livre próximo de 11%.
O BTG mantém recomendação de compra para as duas companhias.
A exposição internacional, nesse caso, funciona como um diferencial. Enquanto as siderúrgicas brasileiras ainda dependem de uma recuperação da demanda doméstica e de medidas mais efetivas contra a concorrência do aço importado, Ternium e Gerdau têm parte relevante de seus negócios posicionada em um mercado considerado mais defensivo.
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