Educação Financeira
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Dossiê COE: entenda tudo sobre este investimento

Dossiê COE: entenda tudo sobre este investimento

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

16 Fev 2022 às 18:56 · Última atualização: 16 Fev 2022 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

16 Fev 2022 às 18:56 · 7 min leitura
Última atualização: 16 Fev 2022

inversão da curva de juros

Reprodução/Pixabay

O COE (Certificado de Operações Estruturadas) é um produto para quem busca diversificação de carteira. 

Nessa modalidade de investimento, é possível combinar aplicações de Renda Fixa e Renda Variável, nacionais e internacionais, mas reduzindo os riscos para que o investidor tenha proteção. 

Entenda como funciona o COE. Conheça as possibilidades de remuneração.

O que é COE?

COE é a sigla para Certificado de Operações Estruturadas. Este instrumento foi criado pela Lei 12.249/10, mesma que instituiu as Letras Financeiras. 

Regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco Central no segundo semestre de 2013, é baseado nas Notas Estruturadas (investimento popular nos EUA e Europa). 

O COE é uma mescla de elementos de Renda Fixa e Variável e seu capital pode ser parcial ou totalmente protegido contra perdas nominais do valor investido – a depender de cada certificado. 

Basicamente, o investidor elimina sua perda financeira se no vencimento o resultado do ativo investido for negativo, mas ganha se for positivo.

Como funciona o COE?

O COE é um investimento que funciona de forma a combinar o baixo risco da Renda Fixa e o possível ganho da Renda Variável. 

“Imagine que você tenha a intenção de fazer um investimento em Renda Variável, mas não se sinta muito confortável com os riscos. O COE pode possibilitar isso. A diferença é que até determinado prazo, se o rendimento for positivo, haverá ganhos, mas se o rendimento for negativo, você pode se proteger, resgatando todo o valor aplicado”, explica André Bona, educador financeiro e parceiro do BTG Pactual (BPAC11).

A ideia do COE é justamente “misturar” os riscos diferentes dos investimentos para que o investidor tenha proteção. 

Para que isso seja feito, existe uma data final para o COE onde aquele cenário-alvo da rentabilidade seja atingido. 

Quando isso não acontece, o investidor tem a proteção que foi combinada no começo da aplicação. 

Quais os tipos de COE?

A emissão do COE pode ser feita em duas modalidades:

  • COE de Valor Nominal Protegido: com garantia do valor principal investido;
  • COE de Valor Nominal em Risco: quando há possibilidade de perda até o limite do capital investido.
  • Leia também: Conheça os tipos de COE.

Por que investir em COE?

O investidor pode montar, dentro de um COE, uma estrutura que tenha características tanto de Renda Variável, quanto de Renda Fixa. Isso faz com que o investidor tenha uma determinada exposição de Renda Variável, porém com uma proteção que uma Renda Fixa pode proporcionar”, esclarece André Bona.

Quais as vantagens do COE?

Uma das principais vantagens do COE é a flexibilidade, que se resume na possibilidade de diversificação da carteira do investidor. 

A modalidade também pode ser vista como um veículo para acessar novos mercados nacionais ou internacionais. 

“A vantagem do COE é permitir a quem ainda não tem familiaridade com a Renda Variável fazer uma exposição, mas sem correr o risco desta modalidade. Isso permite que o investidor conheça melhor o seu perfil”, avalia André Bona. 

“Mas, para que essa vantagem seja efetiva, é importante que o investidor aloque um percentual pequeno da sua carteira para que ele tenha um primeiro contato com a Renda Variável”, aconselha o educador. 

COE

COE é um bom investimento? Quais os riscos?

Ainda que o COE seja um produto de risco controlado, não significa que não apresenta risco algum.

É preciso saber que:

  • O COE não é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito;
  • Possui liquidez a médio e longo prazo: fixado no ato da contratação;
  • Para retirar o valor antecipadamente, é preciso negociar o produto no mercado secundário perdendo parte do dinheiro investido;
  • O capital protegido só é garantido na data de vencimento do investimento;
  • Caso o investidor receba no vencimento apenas o valor aplicado, ele terá o “custo de oportunidade” frente a uma aplicação mais conservadora.

Quem emite o COE? 

O COE representa uma alternativa de captação de recursos para os bancos, sendo registrado da mesma forma que um CDB, por exemplo. 

O risco do investidor está no banco que emite o COE, pois toda operação é feita e estruturada pela instituição, que também garante ao investidor o capital protegido.

Ao emitir o título, o banco irá registrá-lo na B3 (Bolsa de Valores), responsável por registrar e guardar essas operações bancárias no nome de clientes.

O COE é emitido com rentabilidade variável, pois está atrelado a oscilações de ativos em determinados cenários, que podem sofrer altas e baixas no mercado. 

Ao emiti-lo, o banco observa as regras de suitability, na qual é feita uma análise do “apetite” ao risco de cada cliente. 

Para quem é o COE?

Por ser um produto de investimento híbrido, o COE pode ser recomendado para quem procura ganhos mais elevados, como na Renda Variável, mas com a segurança semelhante à Renda Fixa. 

Assim, investidores mais conservadores têm a possibilidade de alcançar uma remuneração diferenciada, estabelecendo um limite de perda no investimento. 

Já os investidores mais arrojados têm a oportunidade de investir em operações com algum grau de risco, porém com estratégias e cenários mais nítidos.

“De qualquer maneira, o COE é uma primeira alternativa que o investidor tem para ter contato com a Renda Variável de forma mais tranquila e protegida”, comenta André Bona.

É preciso saber que essa modalidade é considerada um investimento de risco um pouco mais elevado, já que depende das oscilações do mercado. 

Por isso, não é recomendado para quem ainda não tenha uma reserva de emergência.

“Para avaliar se o COE pode ser útil para você, é preciso pensar também no tempo de alocação dentro da carteira”, esclarece o educador financeiro. 

Quanto rende?

O rendimento do COE depende da estratégia e do tipo de aplicação em cada produto. 

Por exemplo, imagine um COE dentro do seguinte cenário:

  • Índice de referência: Ibovespa no prazo de dois anos;
  • 100% do capital nominal investido protegido;
  • Limite de ganhos do investidor até um teto de 15% ao ano.

Processo

O investidor aplica seu dinheiro nesse produto e espera pelo vencimento do COE para ver o seu resultado. 

As flutuações do Ibovespa ao longo do tempo não interferem em nada o investimento. 

O que o investidor vai precisar saber é a pontuação do índice no início do COE e no dia de seu encerramento.

Resultados

No caso desse COE, existem três resultados possíveis na data de seu encerramento:

  1. Queda do Ibovespa: nesse caso, o investidor receberá exatamente o dinheiro que investiu dois anos antes, sem nenhuma perda de capital investido; 
  2. Desempenho estável ou alta de até 15% ao ano do Ibovespa: nesse caso, o investidor irá receber exatamente a rentabilidade do índice;
  3. Alta de mais de 15% ao ano do Ibovespa: nesse resultado, o investidor receberá o teto de 15% ao ano de rentabilidade.

Tem cobrança de Imposto de Renda?

A tributação do IR do COE segue a mesma tabela regressiva aplicada à Renda Fixa e varia de acordo com o prazo do investimento. 

Quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menos imposto se paga.

Tabela de Tributação

Prazo

Alíquota
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

 

Durante o período de investimento, porém, é preciso declarar a posse no IR de cada ano na seção “Bens e Direitos”.

Como estruturar a operação?

Uma das características do COE é a flexibilidade com relação aos ativos aos quais ele pode estar atrelado que podem ser ações, commodities, cotas de fundos, taxas de câmbio, entre outros, por exemplo. Esses ativos podem ser nacionais ou internacionais. 

Por um período definido, o investidor fica exposto à variação de preço desses determinados ativos ou cesta de ativos de Renda Variável (como o dólar, Ibovespa, Dow Jones, por exemplo). 

Isso irá acontecer com capital nominal parcial ou totalmente protegido, a depender de cada certificado. 

É importante saber que o desempenho de um COE de ações pode ser muito diferente de um COE focado em ativos de renda fixa ou em moedas, por exemplo.

Quando é o momento certo de investir?

O momento certo de entrar em qualquer investimento é aquele no qual o investidor entende por completo a proposta do produto, recomendam os analistas de mercado. 

Essa premissa é ainda mais importante quando se trata do COE, pois o produto apresenta diversos cenários de remuneração, nos quais os ganhos podem ser diferentes de acordo com o nível de preço do ativo de referência. 

Portanto, a recomendação sempre é para que os interessados se informem e busquem sanar todas as dúvidas antes de começar a investir.

(Por Vanessa Araujo)

newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias