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Bilionários brasileiros: Jorge Paulo Lemann lidera lista nacional

Bilionários brasileiros: Jorge Paulo Lemann lidera lista nacional

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

02 Set 2022 às 16:07 · Última atualização: 02 Set 2022 · 11 min leitura

Matheus Gagliano

02 Set 2022 às 16:07 · 11 min leitura
Última atualização: 02 Set 2022

Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles em foto da capa do livro “Sonho Grande” de Cristiane Correa

O empresário Jorge Paulo Lemann lidera a lista dos bilionários brasileiros segundo a revista Forbes. Ele é seguido por Marcel Hermann Teles e Eduardo Saverin – co-fundador do Facebook. Entre os bilionários individuais ainda se destacam na lista André Esteves, um dos banqueiros à frente do BTG Pactual (BPAC11), Alexandre Hering e Luciano Hang, dono da rede lojas Havan.

Porém, de acordo com a publicação, as dificuldades financeiras, como a queda de IPOs neste ano, além da queda de valor de mercado de alguns agora ex-bilionários pesaram e fizeram com que o número de bilionários no cenário nacional diminuísse e fosse para apenas sete nomes. Com isso, 26 nomes saíram desse clube.

Lemann tem uma fortuna estimada em US$ 13,7 bilhões, ao passo que Marcel Hermann Telles, teria algo em torno de US$ 9,5 bilhões. Fechando o pódio dos três maiores bilionários brasileiros, está Eduardo Saverin, com US$ 9,4 bilhões.

Bilionários brasileiros: entre dez nomes, seis são de fortunas individuais

Entre as dez maiores fortunas do país, seis são de acumulações de capital individuais. Além dos três primeiros, há ainda André Esteves, com US$ 5,7 bilhões; Alexandre Behring, com US$ 5,7 bilhões; e Luciano Hang, com US$ 4,7 bilhões.

Já entre as fortunas familiares, a maior é a de Carlos Alberto Sicupira e família, que possuem US$ 7,8 bilhões; os irmãos Safra têm US$ 7,6 bilhões; Lúcia Maggi – a mulher mais rica do país – e família têm US$ 6,8 bilhões; seguida de Jorge Moll e familiares, com US$ 6 bilhões.

Na lista global, que inclui nomes do exterior, quem lidera é o empresário sul-africano Elon Musk, dono da Tesla (TSLA34), com uma fortuna calculada em US$ 219 bilhões. Lemann, mais rico do Brasil, figura na 133ª posição do ranking internacional.

Lemann, Sicupera e Behring: revolucionando o mercado

Lemann, Sicupira e Behring possuem uma história de sucesso em comum. Durante anos o trio esteve à frente do Banco Garantia, que foi fundado no começo dos anos 70 por Lemann, tendo como modelo de negócio o norte-americano Goldman Sachs. Mas foi em 1981 que o trio se uniu na compra das Lojas Americanas, um negócio considerado ousado na época e marcou a entrada deles no varejo.

Tendo como modelo o norte-americano Walmart, as Lojas Americanas tiveram muito sucesso ao longo dos anos 80 e 90. Com a chegada do comércio eletrônico, forçou uma mudança no modelo. Ainda assim, de origem à B2W, uma gigante do varejo eletrônico, dona da Americanas.com e ainda da loja online Submarino.

Quem são os bilionários

Conheça um pouco mais sobre as histórias dos bilionários brasileiros:

Jorge Paulo Lemann

Jorge Paulo Lemann nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de agosto de 1939, filho de pais suíços. Seu pai mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fundou a fábrica de laticínios Leco, abreviatura de Lemann & Company. Sua mãe, Anna Yvette, era filha de um casal de suíços.

Crescendo sem muitos luxos, apesar de ser de família rica, Lemann sempre se dedicou ao esporte e aos estudos. Chegou a ser surfista, onde aprendeu uma grande lição, mas foi no tênis em que ele mais se destacou.

Aos sete anos, no Country Club do Rio, começou a praticar mais o esporte. Sempre muito competitivo, ganhou vários campeonatos chegando a ser campeão brasileiro juvenil.

Praticando surfe Lemann teve seu primeiro aprendizado. Ao entrar no mar com seus amigos em um dia de maré alta, escapou por pouco de ser engolido por uma onda muito maior do que estava habituado.

Tomou o evento como lição, dizendo ser importante tomar risco, mas quando se está preparado para isso. “Ao longo da minha vida, eu me lembrei mais da onda de Copacabana do que daquilo que aprendi na faculdade.”

Concluiu o ensino médio na Escola Americana do Rio de Janeiro, devido ao inglês fluente e influência do primo, aos 17 anos, formou-se em economia na Harvard em 1961.

Marcel Herrmann Telles

Marcel Heman Telles, carioca, nascido no Rio de Janeiro em 1950, formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio (UFRJ) e iniciou sua carreira no Banco Garantia, em 1972, onde conheceria seus futuros sócios Lemann e Behring.

Anos depois, em 1989, comprou a Brahma que, posteriormente, foi fundida com a Antártica, dando origem à Ambev (ABEV3). Em 2004, a companhia, dona das marcas nacionais, fez uma combinação com a interbrew e foi criada a InBev, que hoje é considerada a maior cervejaria do mundo.

A InBev deu um passo ousado nos anos 2000 ao anunciar a compra da tradicional marca norte-americana Budweiser e é dona de outros títulos como a mexicana Corona. Telles também possui participação de outras grandes marcas globais como o Burger King (BKBR3) e Kraft Heinz, dona da marca de molhos e temperos Heinz.

Eduardo Saverin

Saverin nasceu na capital paulista em 1982, mas já faz quase 30 anos que ele não mora mais no Brasil. Aos 10, migrou para Miami, ao lado dos pais e dos irmãos (Alexandre e Michele).

Seu pai, o empresário Roberto Saverin, tinha uma empresa exportadora de remédios. A família sempre foi empreendedora. Na década de 1950, o avô de Saverin, um judeu romeno, fundou no Brasil uma fábrica de roupas infantis, a Tip Top Têxtil. A marca foi vendida nos anos 80 para outra família.

Em 2001, Saverin começou a cursar Economia em Harvard. Foi ali, em uma das melhores universidades do mundo, que ele deu os primeiros passos para se tornar um bilionário e foi lá onde ele conheceu Mark Zuckerberg, um dos nomes mais conhecidos da tecnologia mundial.

Mark e Saverin se conheceram em uma fraternidade de alunos de Harvard. Zuckerberg era um desses “geninhos da programação” e o brasileiro mandava bem nas finanças – era presidente da Harvard Investment Association, um clube dedicado a ensinar alunos a investir.

Em fevereiro de 2004, aos 20 e poucos anos, em um dormitório da faculdade, os dois amigos lançaram o site Thefacebook. A rede social só funcionava no campus e era restrita aos estudantes da universidade.

Foi um sucesso entre os alunos, e no mês seguinte a plataforma se expandiu para Stanford, Columbia e Yale.

Irmãos Safra

A família Safra pode ser considerada uma das mais empreendedoras do país. Joseph Safra, falecido em 2020, fundou o banco que leva o nome de sua família. Ele ele, Moise, e Edmond tocaram os empreendimentos com o pai (e depois dele).

Edmond Safra ficava à frente das operações internacionais da família. Ele faleceu em 1999, em Mônaco, de forma trágica, assassinado por um dos seus enfermeiros.

Com a morte do irmão, Moise e Joseph começaram uma disputa pela herança da família. O desentendimento levou Joseph Safra, que comandava o negócio no Brasil, a abrir um novo banco. Era um concorrente, que atendia o mesmo perfil de clientes.

Só em 2006 os dois chegaram a um acordo e Moise aceitou vender sua participação. Oito anos depois ele morreu.

André Esteves

Criado pela mãe e pela vó, André Esteves tinha um objetivo de vida quando começou a cursar sua faculdade: conseguir um emprego. “Era um ambiente econômico horroroso”, lembrou durante evento da Fiesp. “Ter um emprego era o mais importante, era o que todo mundo queria. Empreender era um delírio na época.”

Ele contou que tinha muitos interesses, mas, pelas dificuldades financeiras que sua família enfrentava, era preciso ser muito prático: entrar em uma faculdade pública e em um curso que fosse passaporte para uma vaga de trabalho.

“Eu era bom aluno e gostava de muita coisa. Mas fui fazer matemática porque tinha emprego. Eu tinha que entrar em uma faculdade que não precisasse pagar e ela tinha que ser boa”, complementou.

Foi, então, que ele começou a cursar matemática com ênfase em informática na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Informática, na época, era considerado um campo bastante promissor.

Esteves começou a trabalhar na própria faculdade, mas sabia que precisava expandir horizontes. Até que, lendo um jornal, descobriu que um banco de investimentos estava recrutando jovens talentos. “Eu não fazia ideia do que era um banco de investimentos, mas coloquei minha melhor roupa e fui.”

Aos 37 anos, ele já tinha um patrimônio pessoal de US$ 1 bilhão e era chefe global da área de renda fixa do UBS Pactual. Ficou no cargo por mais dois anos.

Depois, se afastou e, junto a nove sócios minoritários, começou do zero com o BTG Investments. Em 2008, em plena crise mundial, o novo banco já se destacava pelos resultados.

Lúcia Maggi

A empresária Lucia Borges Maggi é a mulher mais rica do Brasil. Em 1977, ela tornou-se conhecida, quando fundou com seu marido (André) a empresa Sementes Maggi (uma das principais exportadoras de soja do mundo), nome que antecedeu o atual negócio, grupo André Maggi (AMaggi), na cidade de São Miguel do Iguaçu (Paraná).

No ano de 2001, após o falecimento de André, ela assumiu a maior parte das ações da empresa e viu a grande expansão do negócio, tendo suas atividades ampliadas para outras modalidades, como comercialização de insumos agrícolas, sistemas logísticos e geração de energia elétrica.

Em relação às suas atuações empresariais, Lucia ocupa, no momento, a função de consultora do Conselho de Administração da AMaggi. Ela é mãe de Blairo Maggi, ex-governador do Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura do governo Michel Temer.

Alexandre Behring

Formado em engenharia eletrônica pela PUC do Rio, Behring começou a estagiar no Citigroup quando ainda estava na faculdade. No banco, trabalhava com redes internas de informação.

Em 1988, quando tinha apenas 22 anos, tornou-se sócio na Modus OSI Tecnologias, empresa que prestava serviços para bancos.

Cinco anos mais tarde, vendeu sua participação no negócio e foi cursar MBA na Harvard Business School. Ficou entre os melhores da turma. Dali, seguiu para um estágio no banco de investimentos Goldman Sachs, onde a meritocracia e cultura de competição imperam.

A trajetória de Behring está diretamente relacionada ao estilo de gestão do trio Lemann, Telles e Sicupira. Juntos, eles criaram a maior cervejaria do mundo, a AB Inbev. Os três sempre defenderam que os melhores talentos devem ser premiados e promovidos a desafios maiores.

Foi o que aconteceu com Behring, que também virou sócio, junto com os chefes, do 3G capital, uma empresa de investimentos que aplica parte do patrimônio em companhias nos Estados Unidos.

Luciano Hang

Até 2016, Hang, dono da varejista Havan, era um desconhecido empresário catarinense no cenário nacional. Suas lojas, com arquitetura inspirada na Casa Branca e com uma réplica da estátua da liberdade, já chamavam a atenção, mas ele se mantinha discreto.

O empresário de Brusque (SC) ganhou notoriedade ao se tornar um aliado do então candidato à presidência Jair Bolsonaro, em 2018. Em setembro de 2019, Hang fez sua estreia na lista de bilionários da revista Forbes.

A veia empreendedora acompanha Luciano Hang desde criança. Ele conta que, aos nove anos, percebeu que a falta de uma cantina na escola poderia ser uma oportunidade.

Começou a comprar balas e biscoitos no comércio para revender aos estudantes.

Mais tarde, trabalhou como vendedor na Tecidos Carlos Renaux, empresa de Brusque que foi à falência em 2013.

Em 1986, aos 24 anos, abriu sua própria loja para vender tecidos no atacado. O estabelecimento tinha 45 metros quadrados e foi aberto em sociedade com o amigo Vanderlei. O nome da loja veio da junção dos nomes dos sócios.

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