A XP Investimentos não espera boas notícias da Jalles Machado (JALL3) no primeiro trimestre da safra. A leitura combina o início do ciclo agrícola com um mix de produção mais inclinado ao etanol, justamente quando os preços dos combustíveis desabaram no mercado interno.
“Esperamos que a Jalles reporte resultados fracos neste trimestre”, escreveram Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, analistas da XP.
Há também uma decisão comercial por trás dos números. Como outras usinas do setor, a companhia teria segurado parte das vendas de etanol à espera de condições melhores — o que empurra receita para frente e esvazia o trimestre.
Volume e preço puxando na mesma direção
A projeção de receita líquida é de R$ 334 milhões, recuo de 34% na comparação anual. Nas vendas de açúcar, a casa estima 66 mil toneladas, contra 91 mil um ano antes; no etanol, 73 mil metros cúbicos, ante 77 mil.
Os preços agravam a conta. A XP trabalha com açúcar a R$ 2.274 por tonelada e etanol a R$ 2.854 por metro cúbico, quedas de 23% e 9%, respectivamente, na base anual.
“Os preços devem continuar atuando como um importante vetor de pressão”, apontou Leonardo Alencar.
O que o hedge salva
Sem os efeitos da proteção, o Ebitda ajustado cairia à metade, para R$ 134 milhões. Com o hedge, a estimativa sobe para R$ 250 milhões — quase o dobro. No resultado operacional, a projeção é de R$ 25 milhões negativos, bem menos ruim do que os R$ 168 milhões negativos registrados um ano atrás.
“A posição de hedge da companhia deve fornecer um amortecedor relevante”, calculou Leonardo Paiva.
A recomendação para quem acompanha o papel, contudo, é de paciência. Enquanto açúcar e etanol não mostrarem fundamentos mais favoráveis, o alívio contábil do hedge tende a não bastar para destravar a ação.
“Os investidores devem permanecer em compasso de espera”, projetou Leonardo Alencar.






