A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações da Kepler Weber (KEPL3) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 7 por ação. A revisão reflete uma visão mais cautelosa para o ciclo do agronegócio, diante da expectativa de que a recuperação dos investimentos no setor ocorra de forma mais lenta do que o previsto anteriormente.
Segundo o relatório, a combinação entre rentabilidade pressionada dos produtores rurais, preços mais baixos dos grãos e condições de financiamento ainda restritivas deve continuar limitando a demanda por soluções de armazenagem pós-colheita nos próximos trimestres.
“Estamos atualizando nossas estimativas para a Kepler Weber e rebaixando a recomendação da ação para Neutra (preço-alvo de R$ 7,00/ação), pois prevemos um ciclo de baixa agrícola mais prolongado, impulsionado pela pressão sobre a economia do setor e por um ambiente de financiamento ainda restritivo.”
Como consequência desse cenário, a XP revisou para baixo suas estimativas de resultados da companhia. A instituição afirma que as projeções de lucro líquido para 2026 e 2027 ficaram, respectivamente, 44% e 37% abaixo das estimativas anteriores. A expectativa é de que a recuperação dos resultados seja gradual, com o lucro retornando aos níveis observados em 2025 apenas em 2028.
Além da demanda mais fraca, os analistas destacam que a menor utilização da capacidade produtiva deve continuar pressionando as margens operacionais. O relatório também aponta que uma eventual alta dos preços do aço poderá elevar os custos de produção em um momento em que a empresa encontra dificuldades para repassar aumentos de preços aos clientes.
Diversificação ameniza impacto, mas não compensa ciclo fraco
Embora o cenário de curto prazo seja considerado desafiador, a XP avalia que a estratégia de diversificação da Kepler Weber continua funcionando como um importante fator de proteção para os resultados. A expansão das operações voltadas ao segmento agroindustrial e o crescimento das receitas de Reposição e Serviços tendem a reduzir parte da volatilidade típica do negócio agrícola.
“A crescente diversificação da Kepler, impulsionada pela expansão de soluções agroindustriais e pela relevância cada vez maior da área de Reposição e Serviços, contribui para reduzir a volatilidade dos lucros e compensar parcialmente a menor demanda relacionada à agricultura.”
Mesmo assim, a instituição acredita que esses segmentos não serão suficientes para compensar integralmente a desaceleração da área agrícola. Por isso, as estimativas de receita para 2026 e 2027 também foram reduzidas em cerca de 20%.
Outro ponto de atenção destacado no relatório é o ambiente competitivo. Após o fracasso da proposta de combinação de negócios com a GPT, os analistas avaliam que a concorrência pode se intensificar, principalmente porque empresas do setor deverão buscar crescimento orgânico em um mercado que já enfrenta demanda enfraquecida.
“Após o fracasso da fusão com a GPT, a concorrência pode se intensificar, visto que as empresas buscam crescimento orgânico em um setor que já enfrenta condições de preços mais restritivas.”
Na avaliação da XP, o mercado também acompanha com atenção os possíveis impactos das medidas antidumping sobre produtos de aço plano e da investigação envolvendo o aço laminado a quente. Caso os custos da matéria-prima avancem, a pressão sobre as margens da Kepler Weber poderá aumentar, uma vez que o ambiente de demanda enfraquecida limita o repasse dos custos.
Apesar da revisão negativa para o curto prazo, a XP mantém uma visão favorável para os fundamentos estruturais da companhia. O relatório destaca que o déficit de capacidade de armazenagem nas propriedades rurais brasileiras continua representando uma oportunidade relevante de crescimento no longo prazo.
Ainda assim, os analistas entendem que o valuation atual já reflete boa parte desse potencial. Segundo a instituição, as ações são negociadas a múltiplos considerados compatíveis com um cenário de fundo de ciclo, sem oferecer desconto suficiente para compensar os riscos associados ao ambiente operacional.
“Embora a Kepler permaneça bem posicionada para o longo prazo, não vemos mais a empresa como uma história de crescimento de curto prazo, com nossos lucros líquidos atualizados retornando aos níveis de 2025 somente em 2028.”






