Apenas a Petrobras (PETR3; PETR4) e a PetroVietnam produzirão menos em 2030 do que o projetado em 2015, segundo análise da consultoria Wood Mackenzie sobre as maiores empresas de petróleo do mundo. A constatação surge em contexto onde a maioria das companhias conseguiu superar projeções anteriores, mas agora enfrenta desafio ainda maior para sustentar produção até 2040.
A consultoria avaliou 30 das maiores empresas de exploração e produção (E&P) do mundo, que coletivamente produzem cerca de 50 milhões de barris de óleo equivalente por dia (mmboe/d), atendendo aproximadamente 30% da demanda global.
O estudo, assinado por Neivan Boroujerdi, Tom Ellacott e Greig Aitken, revela que essas companhias precisarão adicionar 22 mmboe/d até 2040 para manter sua participação no fornecimento mundial — volume equivalente a quase duas bacias do Permiano ou 14 projetos na escala de Guiana.
Lacuna maior que em 2015
Em 2015, a Wood Mackenzie projetava queda de 25% (11 mmboe/d) na produção dessas empresas até 2030. A lacuna foi preenchida através de exploração, aumento de recuperação e fusões e aquisições (M&A). Agora, a consultoria prevê declínio de quase 40% (19 mmboe/d) entre 2025 e 2040 com base nos projetos comerciais atuais.
Os grandes vencedores da década passada foram empresas americanas focadas em tight oil (petróleo leve não convencional, como xisto): ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips e Occidental adicionaram mais de 1 mmboe/d cada, principalmente através de M&A na Bacia do Permiano. PetroChina e CNOOC obtiveram resultados similares apostando em campos domésticos na China.
Desafio estrutural e de capital
A situação atual é mais complexa. A grande fase de crescimento do tight oil americano está terminando, com produção próxima ou já tendo ultrapassado o pico. As oportunidades mais atrativas de M&A já foram concretizadas, barris chineses estão mais caros para desenvolver, e principais países detentores de recursos — como Arábia Saudita, Rússia e Irã — estão fechados para negócios.
Entre as 30 empresas analisadas, apenas Expand Energy, INPEX e Santos devem produzir mais em 2040 do que produzem hoje. A situação é mais aguda para as maiores europeias e empresas estatais (NOCs), que precisarão encontrar ou acessar mais de 1 mmboe/d — ou 50% de sua base de produção atual — em média, para crescer alinhado com a demanda.
Em termos absolutos, a CNPC tem o maior déficit, enquanto a Pemex é a mais desafiada percentualmente. Equinor e Shell têm as maiores lacunas a preencher entre majors e IOCs.
Investidores redefinindo valor
O setor não está mais limitado apenas por oportunidades, mas por capital. Investidores agora esperam que grandes companhias retornem 30% a 50% do fluxo de caixa operacional via dividendos e recompras, tornando impossível simplesmente gastar para resolver o dilema. As empresas precisarão fazer mais com menos, liderando a implantação de inteligência artificial e novas tecnologias para encontrar e produzir mais hidrocarbonetos a custo menor.






