O Itaú BBA identifica um raro ponto de entrada nas ações da WEG (WEGE3) ao atualizar sua análise com o balanço do terceiro trimestre e a recente desvalorização do real. O banco recomenda a compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 56 para 2027.
No relatório, da última segunda-feira (26), Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo destacam que a companhia negocia a 24 vezes o lucro projetado para 2027, ante uma média histórica próxima de 30 vezes. A diferença representa um desconto de aproximadamente 20% em relação ao múltiplo histórico.
O indicador preço/lucro (P/L) relaciona a cotação da ação ao lucro por papel. Na comparação feita pelo banco, a referência é o resultado esperado para 2027.
“Vemos a WEG como uma empresa de alta qualidade que oferece uma combinação atrativa de câmbio favorável e crescimento acima do esperado. Com 60% das receitas vindas dos mercados internacionais, a desvalorização do real oferece suporte significativo aos lucros, enquanto os negócios de geração, transmissão e distribuição de energia, no Brasil e no exterior, crescem mais rápido do que prevíamos”, escrevem os analistas.
Câmbio e revisão das projeções sustentam a tese para WEG
O modelo do Itaú BBA considera um dólar de R$ 5,60. Segundo a análise de sensibilidade do banco, uma desvalorização adicional de 5% do real elevaria em cerca de 4% suas estimativas de lucro para a companhia. Por isso, o câmbio aparece como a principal variável a acompanhar no curto prazo.
Para 2027, o BBA passou a projetar lucro líquido de R$ 7,74 bilhões, aproximadamente 7% acima da estimativa anterior. A previsão de receita líquida também foi elevada em 7%, para R$ 49,66 bilhões, enquanto o Ebitda esperado passou a R$ 11,06 bilhões, com revisão de mesma magnitude.
A estimativa de lucro para 2026 foi reduzida em cerca de 1%, para R$ 6,33 bilhões.
Na avaliação do banco, o crescimento dos resultados pode abrir espaço para que o mercado volte a atribuir um múltiplo mais elevado à WEG. A exposição internacional e as oportunidades de expansão de longo prazo também são apontadas como qualidades da companhia.
Leia também:
Data centers, baterias e margens ficam no radar
Os analistas veem na exposição à inteligência artificial e aos data centers outro possível catalisador para a avaliação das ações, à medida que a contribuição desses negócios ganhe visibilidade.
No horizonte de 30 a 90 dias, atualizações sobre o leilão de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS, também podem ajudar a esclarecer uma nova frente de crescimento para a empresa.
As margens, contudo, são o principal risco identificado pelo Itaú BBA para a tese de investimento.
“As margens são o principal risco. Embora vejamos espaço para melhora com um real mais fraco e o aumento gradual da produção nas novas fábricas, a rentabilidade pode ser pressionada pelas tarifas de importação dos Estados Unidos e por uma composição desfavorável dos produtos vendidos. O crescimento mais rápido de negócios de menor margem, incluindo BESS e geradores Marathon, pode diluir o potencial de melhora das margens considerado em nossa tese”, afirmam.






