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Boeing reduz prejuízo líquido para US$ 116 milhões no terceiro trimestre

Boeing reduz prejuízo líquido para US$ 116 milhões no terceiro trimestre

O resultado foi favorecido pelo crescimento das vendas na divisão de defesa, embora a fabricante de aeronaves continue enfrentando dificuldades

A Boeing (BA; BOEI34) registrou prejuízo líquido de US$ 116 milhões no terceiro trimestre de 2026, uma redução expressiva em relação à perda de US$ 5,34 bilhões apurada no mesmo período do ano anterior. O resultado foi favorecido pelo crescimento das vendas na divisão de defesa, embora a fabricante de aeronaves continue enfrentando dificuldades para recuperar a rentabilidade de sua principal operação, a de aviões comerciais.

Entre julho e setembro, o prejuízo da companhia foi de US$ 0,26 por ação, ante US$ 7,14 por ação um ano antes. Considerando os ajustes para excluir itens não recorrentes, a Boeing registrou perda de US$ 0,34 por ação, acima do prejuízo de US$ 0,21 por ação esperado pelos analistas consultados pela LSEG.

A receita totalizou US$ 24,19 bilhões, alta de 4% na comparação anual e acima da projeção de US$ 23,84 bilhões do mercado. O fluxo de caixa livre também apresentou melhora, alcançando US$ 464 milhões, contra US$ 238 milhões no terceiro trimestre do ano anterior.

Apesar da evolução dos indicadores financeiros, a presidente-executiva da Boeing, Kelly Ortberg, afirmou em comunicado aos funcionários que a empresa ainda tem muito trabalho pela frente. Segundo ela, as expectativas em relação à fabricante estão aumentando, o que exige avanços em produtividade, eficiência e processos operacionais, sem comprometer os padrões de segurança e qualidade.

Aviação comercial segue sob pressão

A divisão de defesa foi um dos principais destaques positivos do balanço. A receita do segmento cresceu 15% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior, para US$ 7,94 bilhões, contribuindo para a melhora dos resultados consolidados.

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Já a unidade de aeronaves comerciais, considerada fundamental para a recuperação financeira da Boeing, registrou queda de 3% na receita, para US$ 10,72 bilhões. O segmento apresentou margem operacional negativa de 6,5%.

Segundo a companhia, o desempenho foi prejudicado por uma composição menos favorável de entregas, pelo aumento dos custos projetados relacionados a futuros ajustes no ritmo de produção e por estimativas mais elevadas de despesas na cadeia de suprimentos.

A Boeing entregou 161 aviões comerciais no trimestre, apenas uma unidade a mais do que no mesmo período do ano anterior. O ritmo de entregas é especialmente importante para a empresa porque a maior parte do pagamento de uma aeronave ocorre quando ela é recebida pelo cliente.

Produção do 737 Max é prioridade para a recuperação

A capacidade de ampliar a produção e as entregas está entre os principais desafios da Boeing. A fabricante vem produzindo cerca de 47 aeronaves 737 Max por mês, mas pretende elevar esse volume.

Ortberg afirmou anteriormente que a estabilização da produção está demorando mais do que o previsto e que a companhia espera aumentar o ritmo de fabricação desses aviões em 2027.

A expectativa é que os executivos apresentem mais detalhes sobre os planos de produção e as perspectivas operacionais durante a teleconferência de resultados com investidores.

Boeing acumula avanços em programas estratégicos

Apesar das dificuldades, a fabricante obteve avanços recentes em projetos importantes. A Marinha dos Estados Unidos escolheu a Boeing para desenvolver seu caça de próxima geração, reforçando as perspectivas da divisão de defesa.

A companhia também recebeu da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) a aprovação do 737 Max 10, o maior modelo da família Max. A decisão, anunciada na semana anterior à divulgação do balanço, veio após a aprovação do 737 Max 7, em agosto, e representou um avanço no processo de certificação dos modelos da linha.

Os resultados do terceiro trimestre mostram uma Boeing em recuperação em relação ao período marcado por grandes perdas contábeis, mas ainda pressionada pelos custos e pela baixa rentabilidade na aviação comercial. Para consolidar essa melhora, a companhia precisará transformar os avanços financeiros em maior eficiência operacional, aumento da produção e crescimento consistente das entregas.

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