O Safra elevou a recomendação da Weg (WEGE3) para outperform, equivalente à compra, e passou a projetar preço-alvo de R$ 59,20 por ação para os próximos 12 meses. O valor anterior era de R$ 53,60, o que faz da nova meta um potencial de valorização de 25%. O relatório leva o título “The worst is behind us” — o pior já passou, em tradução livre.
“Acreditamos que a ação oferece um perfil de risco-retorno mais atraente nos níveis atuais, negociando a 25,8 vezes o lucro estimado para 2027, ou 8% abaixo de sua média histórica”, escreveram os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti.
O primeiro semestre de 2026 foi difícil para a companhia. Uma base de comparação mais dura nos projetos de energia solar em grande escala pesou sobre o desempenho. Efeitos cambiais desfavoráveis e custos maiores de contratação, antecipados para sustentar novas adições de capacidade, também atrapalharam.
“Acreditamos que o panorama operacional está melhorando gradualmente”, apontaram os analistas do Safra.
Segundo semestre mais forte
A receita de 2026 ainda deve crescer abaixo da média histórica da companhia. A estimativa é de R$ 42 bilhões, alta de apenas 3% em relação a 2025.
O segundo semestre, porém, deve compensar o começo mais fraco do ano: a projeção aponta receita 14% maior do que a do primeiro semestre, sustentada por uma base de comparação mais fácil em energia solar e câmbio, por um ambiente doméstico mais saudável para os projetos de ciclo longo de equipamentos elétricos industriais e por uma pequena contribuição da expansão da fábrica de Betim.
O horizonte mais longo é ainda mais favorável, na visão do banco. Em 2027, a Weg deve capturar a contribuição plena de Betim ao longo de todo o ano, somada ao crescimento vindo das expansões de capacidade no México e na Colômbia — o que sustenta uma projeção de alta de 16% na receita naquele ano e de 19% em 2028.
Negócios ainda emergentes na companhia, como baterias de armazenamento, condensadores síncronos e eletromobilidade, somam upside adicional: pequenos hoje, mas em expansão rápida.
“Acreditamos que a atenção do mercado deve migrar cada vez mais para 2027 e além”, apontaram Mussi e Melotti.
Tarifas pressionam, mas margem deve crescer
Na rentabilidade, o banco projeta margem Ebitda de cerca de 21,8% em 2026. A conta é sustentada por um mix de produtos melhor, por maior diluição de custos fixos com a aceleração gradual da receita e pela realização progressiva de ações de preço e iniciativas comerciais implementadas no primeiro semestre.
“Esses fatores devem ajudar a compensar o impacto das tarifas americanas, particularmente as novas tarifas da Seção 301, de 37,5% sobre produtos brasileiros”, ponderaram os analistas.
O efeito das tarifas já deve pesar sobre as margens no terceiro trimestre de 2026, com a estimativa do Safra para o segundo semestre em 21,6%.
Mais à frente, porém, o banco projeta uma expansão mais relevante, para 22,5% em 2027 e 22,9% em 2028, puxada pelo amadurecimento da capacidade de transformadores recém-adicionada — segmento com rentabilidade acima da média da companhia.
As novas contas do Safra também embutem Ebitda de R$ 9,133 bilhões em 2026 e R$ 10,923 bilhões em 2027, além de lucro líquido de R$ 6,36






