O Bank of America revisou sua recomendação para o setor educacional brasileiro após os resultados do primeiro trimestre de 2026, elevando as ações da Vitru (VTRU3) para compra e rebaixando a Cruzeiro do Sul (CSED3) para neutra. A mudança reflete um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros elevados e maior seletividade dos investidores.
Segundo os analistas Flávio Yoshida e Mirela Oliveira, o ambiente atual favorece empresas com melhor execução e balanços mais sólidos. “Estamos elevando a importância de execução e força de balanço em um cenário macro mais desafiador”, afirmam.
Vitru se destaca com modelo híbrido
A Vitru emergiu como uma das principais escolhas do banco após resultados considerados fortes no primeiro trimestre. A companhia teve a recomendação elevada para compra, com preço-alvo revisado de R$ 18 para R$ 21 por ação.
O desempenho operacional acima dos pares reforçou a visão de que o modelo de ensino híbrido é um diferencial competitivo relevante, especialmente em um momento de mudanças regulatórias.
“A Vitru apresentou desempenho superior no trimestre, reforçando que sua expertise em ensino híbrido é uma vantagem competitiva importante”, afirmam Yoshida e Oliveira.
Além disso, o banco destaca que a companhia conseguiu reduzir despesas de marketing e ampliar margens, beneficiada por menor necessidade de ajustes estratégicos em relação aos concorrentes.
Melhora em geração de caixa e perspectivas
O Bank of America também revisou para cima suas estimativas de geração de caixa, com aumento de 36% na projeção de fluxo de caixa para o acionista em 2026. A expectativa é de um yield de cerca de 25%, reforçando a atratividade do papel.
Outro fator relevante é a melhoria esperada na inadimplência, impulsionada por um reconhecimento mais conservador de alunos nos últimos ciclos.
“A combinação de melhor execução operacional, menor gap estratégico e ganhos de eficiência sustenta uma visão mais construtiva para a companhia”, dizem os analistas.
Cruzeiro do Sul enfrenta pressão de curto prazo
Por outro lado, o banco rebaixou a recomendação para Cruzeiro do Sul para neutra, com corte no preço-alvo de R$ 8,50 para R$ 4,50. A decisão reflete expectativas de um 2026 mais desafiador, apesar da geração de caixa ainda considerada sólida.
Um dos principais pontos de atenção está nos investimentos recentes em tecnologia, que devem pressionar margens no curto prazo. O retorno dessas iniciativas pode levar até dois anos para se materializar, segundo a análise.
“Acreditamos que os investimentos em tecnologia devem pressionar os resultados no curto prazo e levar a uma postura mais conservadora em dividendos”, afirmam Yoshida e Oliveira.
Além disso, a instituição destaca um ciclo de captação de alunos mais fraco do que o esperado e aumento no prazo de recebimento, fatores que devem impactar a geração de caixa ao longo do próximo ano.
Setor exige maior seletividade
O Bank of America avalia que o setor de educação como um todo deve enfrentar desafios crescentes, especialmente a partir do segundo semestre, com impacto maior esperado a partir de 2027.
Nesse contexto, empresas menos expostas a alunos de menor renda ou financiamento tendem a apresentar maior resiliência. Ao mesmo tempo, a qualidade recente das captações deve sustentar a geração de caixa no curto prazo.
“A seletividade entre os nomes do setor se torna cada vez mais relevante em um ambiente de taxas mais altas e maior pressão sobre renda”, concluem os analistas.






