Café
Home
Notícias
Ações
Veja como a alta do petróleo já prejudica o agro

Veja como a alta do petróleo já prejudica o agro

Embora a valorização da commodity possa, em alguns casos, sustentar os preços do etanol, analistas alertam que o movimento também traz riscos para o setor

A forte alta dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, começa a gerar impactos relevantes também sobre o agronegócio brasileiro. Embora o avanço do Brent possa dar suporte momentâneo aos preços do etanol, analistas avaliam que o movimento também expõe desafios estruturais para empresas como a São Martinho (SMTO3), uma das principais produtoras do país.

Com o Brent acumulando alta expressiva no ano e voltando a patamares próximos aos registrados em 2022, o cenário já provoca mudanças nas expectativas para os biocombustíveis. O petróleo mais caro tende a elevar o preço teórico da gasolina, o que, por consequência, também pode impulsionar o valor do etanol nas usinas, já que o biocombustível mantém uma relação direta de competitividade com o combustível fóssil nas bombas.

Segundo análise do BTG Pactual (BPAC11), os níveis atuais do Brent implicariam um preço de gasolina nas refinarias significativamente acima do praticado atualmente no Brasil. Em um cenário teórico em que essa alta fosse totalmente refletida no mercado doméstico, o valor da gasolina poderia alcançar cerca de R$ 3,64 por litro nas refinarias, aproximadamente 42% acima do nível atual.

Aumento no preço do etanol

Nesse contexto, considerando uma paridade de aproximadamente 70% entre gasolina e etanol nos postos, o preço do etanol hidratado na usina poderia atingir cerca de R$ 3,25 por litro, valor superior ao observado atualmente. Ainda assim, analistas destacam que o petróleo tem apresentado elevada volatilidade nas últimas semanas, o que torna esse patamar incerto no curto prazo.

A reação do mercado acionário reflete essa nova dinâmica. As ações da São Martinho acumulam alta de cerca de 25% no ano, movimento que tem sido cada vez mais correlacionado ao comportamento do petróleo. Inicialmente, parte da tese de investimento na companhia estava mais ligada à perspectiva de valorização do açúcar, mas a recente disparada do Brent passou a influenciar de forma mais direta o desempenho do papel.

Publicidade
Publicidade

Apesar disso, o cenário estrutural para o setor permanece desafiador. A safra 2026/27 deve registrar aumento da oferta de etanol, impulsionada tanto por uma possível mudança no mix de produção das usinas — que podem direcionar maior volume para o biocombustível diante de preços mais fracos do açúcar — quanto pela expansão da produção de etanol de milho no Brasil.

Para que o mercado absorva essa oferta adicional sem provocar uma queda mais acentuada nos preços, analistas estimam que o etanol hidratado precisaria apresentar média próxima de R$ 2,50 por litro ao longo da safra. Esse nível ficaria abaixo da média atual e também abaixo dos custos unitários de produção observados em safras anteriores para diversas usinas.