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Veja as ações com maior posição de “short selling” na Bolsa

Veja as ações com maior posição de “short selling” na Bolsa

A taxa de aluguel da Casas Bahia — remuneração paga por quem toma ações emprestadas para vendê-las a descoberto — disparou 42,3 pontos percentuais em duas semanas, atingindo 72,3%

A XP Investimentos atualizou seus dados de short selling – ou posições vendidas – na Bolsa brasileira com base no fechamento de 17 de abril de 2026. O panorama geral mostra intensificação da aposta contra ações brasileiras: o short interest mediano do Ibovespa subiu para 6,6%, enquanto as posições em aberto avançaram para R$ 151,3 bilhões.

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) é o nome que mais chama atenção. A taxa de aluguel — remuneração paga por quem toma ações emprestadas para vendê-las a descoberto — disparou 42,3 pontos percentuais em duas semanas, atingindo 72,3%.

O número indica custo elevadíssimo para manter posição vendida no papel, o que geralmente reflete escassez de ações disponíveis para empréstimo ou alto risco percebido pelo mercado.

Contudo, o short interest recuou 6,6 pontos percentuais para 29,1% do free float, e os days to cover — métrica que indica quantos dias de volume médio seriam necessários para zerar as posições vendidas — ficaram em 10,6 dias.

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(Imagem: XP Investimentos)

Hapvida e Dexco no radar

A Hapvida (HAPV3) também figura entre os destaques negativos. A taxa de aluguel avançou 12,6 pontos percentuais para 24,3%, enquanto o short interest atingiu 28% do free float — alta de 6,7 pontos desde 2 de abril. Os days to cover avançaram 22,6%, chegando a 7,4 dias de volume médio diário negociado, sinal de que as posições vendidas estão crescendo em relação à liquidez do papel.

A Dexco (DXCO3) também merece atenção: sua taxa de aluguel saltou 7,2 pontos percentuais para 7,3% nas duas últimas semanas, com short interest em 5,8% do free float.

A XP ainda lista Cemig (CMIG4), CPFL Energia (CPFE3), CVC (CVCB3), Light (LIGT3), Lojas Renner (LREN3), Movida (MOVI3), Odontoprev (ODPV3) e Oncoclínias (ONCO3) como papéis a serem monitorados pelo mercado por conta de posições vendidas relevantes.

Short Selling

Short selling, ou venda a descoberto, é uma estratégia em que o investidor aposta na queda de uma ação. O mecanismo funciona assim: o operador toma emprestado o papel de outro investidor — pagando uma taxa de aluguel por isso —, vende as ações no mercado ao preço atual, aguarda a cotação recuar e, em seguida, recompra os papéis mais baratos para devolvê-los ao doador, embolsando a diferença como lucro.

O risco, contudo, é assimétrico: enquanto o ganho máximo é limitado a 100% — caso a ação vá a zero —, a perda é teoricamente ilimitada, já que o preço do papel pode subir indefinidamente, obrigando o vendedor a descoberto a recomprar as ações com prejuízo.

Na Bolsa brasileira, operada pela B3, o short selling é regulado e transparente: as posições em aberto são divulgadas periodicamente, o que permite ao mercado identificar quais ações concentram maior interesse vendedor — dado relevante tanto para avaliar o sentimento dos investidores quanto para detectar possíveis movimentos de short squeeze, quando a alta forçada do papel pressiona os vendidos a cobrir suas posições.