A Vale (VALE3) deve apresentar uma forte recuperação na produção de minério de ferro no segundo trimestre de 2026, compensando a pressão temporária sobre os custos e permitindo um resultado operacional ligeiramente acima das expectativas do mercado. Essa é a avaliação da Genial Investimentos, que vê espaço para uma surpresa positiva nos números da mineradora e mantém um viés construtivo para as ações.
Segundo a corretora, a companhia deve registrar um Ebitda proforma de US$ 3,8 bilhões entre abril e junho, queda de 1,7% em relação ao trimestre anterior, mas avanço de 11,8% na comparação anual. A estimativa supera ligeiramente o consenso do mercado, que gira em torno de US$ 3,7 bilhões.
Produção reage
O principal destaque da prévia é a recuperação da produção de minério de ferro. A Genial estima que a Vale produza 85,3 milhões de toneladas no segundo trimestre, alta de 22,5% frente aos três primeiros meses do ano e crescimento de 2,1% na comparação anual.
Na avaliação da casa, o desempenho será impulsionado pela sazonalidade favorável, com a normalização do regime de chuvas, e pelo avanço dos projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais. Esses ativos devem adicionar cerca de 4 milhões de toneladas ao trimestre, parcialmente compensadas pelas paralisações ainda em andamento nas minas de Fábrica e Viga.
Para os analistas, a forte recomposição dos volumes reforça a solidez operacional da divisão de minério de ferro e rompe com o desempenho mais fraco observado no primeiro trimestre.
Pico de custos
Embora a produção avance, a Genial acredita que o segundo trimestre marcará o ponto mais alto do ciclo de custos da Vale. A estimativa é de que o custo caixa C1, excluindo compras de terceiros, alcance US$ 25,2 por tonelada, alta de 6,9% em relação ao trimestre anterior.
A pressão decorre principalmente da valorização do real frente ao dólar ao longo do período, do efeito residual da desconsolidação da Aliança Energia, da alta do diesel e dos custos relacionados ao CPP. Além disso, o frete unitário deve subir para US$ 22,3 por tonelada devido ao repasse dos preços do bunker.
Apesar disso, a corretora considera que esse aumento é temporário e não representa uma deterioração estrutural da competitividade da companhia. A expectativa é de que câmbio, combustíveis e demais componentes de custo se normalizem nos próximos trimestres.
Preços e recomendação
A Genial projeta um preço realizado de US$ 95,2 por tonelada para os finos de minério de ferro, ligeiramente abaixo do registrado no primeiro trimestre, refletindo principalmente ajustes do sistema de preços provisórios e uma redução no prêmio de qualidade. Já o preço das pelotas deve subir para US$ 136,7 por tonelada.
Na divisão de metais básicos, a expectativa é de estabilidade operacional. A produção de cobre deve alcançar 97,7 mil toneladas, enquanto o níquel deve recuar temporariamente em razão de paradas programadas para manutenção.
Mesmo mantendo oficialmente a recomendação neutra para as ações, a Genial afirmou que adota um viés positivo para a tese. O preço-alvo de R$ 86 por ação representa potencial de valorização de aproximadamente 16% sobre as cotações atuais, além de um dividend yield estimado em cerca de 7%.
Segundo a corretora, uma eventual confirmação da recuperação dos volumes e da natureza transitória do pico de custos nos relatórios operacionais e financeiros previstos para julho poderá levar à elevação da recomendação para compra. O principal risco para a tese continua sendo a perspectiva de maior oferta global de minério de ferro entre 2026 e 2027, diante da entrada de novos projetos, enquanto a demanda chinesa por aço segue mostrando sinais de irregularidade.
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