A Usiminas (USIM5) deve reportar um segundo trimestre de 2026 melhor do que o mesmo período do ano anterior, mas sem mudança de tese para as ações. É o que avalia Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, que mantém recomendação neutra para o papel com preço-alvo de R$ 9 por ação — upside de apenas 4,5% sobre o fechamento de R$ 8,61.
O crescimento dos resultados vem pelo lado do volume, não do preço, e isso limita a tração da tese de investimento.
“Esperamos um segundo trimestre de 2026 melhor que o segundo trimestre de 2025, com Ebitda ajustado de R$ 650 milhões e margem de 9,9%, mas a 4,3 vezes EV/Ebitda 2026, o mercado já paga parte desta recuperação”, afirma Arbetman.
Volume sustenta resultado, custo ainda ajuda
A Ativa projeta receita líquida de R$ 6,57 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 11,9% em relação ao primeiro trimestre, mas queda de 0,9% na comparação anual.
O Ebitda ajustado de R$ 650 milhões representa o topo do ano na curva da casa — com o terceiro trimestre praticamente no mesmo nível, em R$ 648 milhões, e o quarto trimestre recuando para R$ 518 milhões. A margem cede de 11,1% para 9,9% pelo simples fato de que o crescimento da receita vem de volume, e não de preços.
Na siderurgia, a Ativa espera 1.088 quilotoneladas de laminados vendidos, alta de 8,1% sequencial, com 91% destinados ao mercado interno e galvanizados em 298 quilotoneladas.
O Alto-Forno 3 rodando em plena capacidade e a sazonalidade favorável no automotivo sustentam o volume. “O custo cede, mas o preço realizado segue de lado, com o prêmio sobre o importado sendo impeditivo para novos reajustes”, destaca Arbetman.
Na mineração, a MUSA deve entregar receita de R$ 991 milhões e Ebitda de R$ 142 milhões — cerca de R$ 70 por tonelada vendida a terceiros. A melhora é sazonal e de volume, mas o custo de frete limita os ganhos.
Sem ele, o trimestre da mineração seria mais forte. A Ativa trabalha com minério a US$ 105 por tonelada no trimestre, convergindo para US$ 90 por tonelada no longo prazo.
Importados e custos limitam a tese de alta
Apesar da melhora nos resultados, a Ativa identifica riscos relevantes à margem nos próximos trimestres. As placas respondem por cerca de um terço do custo da companhia e estão em alta, com o coque na mesma direção.
“O alívio que sustenta a margem de 9,9% no segundo trimestre pode se mostrar de estoque, e não de tendência, justamente quando o ciclo de preços perde força”, alerta o analista.
No lado comercial, a forte concorrência com o importado segue sendo um entrave para novos reajustes de preços fora do segmento automotivo. A penetração de planos importados caiu no final do primeiro semestre, com maio no ponto mais baixo do ciclo recente.
No entanto, Arbetman não trata isso como normalização: “a possibilidade de triangulação mantém a porta aberta e o custo de reentrada do importado segue baixo.”
Uma decisão sobre tarifas antidumping é esperada até dezembro de 2026 e é apontada como o único catalisador próximo visível para as ações.
Valuation já embute parte da recuperação
No valuation, o preço-alvo de R$ 9 vem 100% de fluxo de caixa descontado, com WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) de 12,4% e crescimento perpétuo de 4,5%.
Rodando o modelo ao contrário, os R$ 8,61 de tela equivalem a minério de US$ 77 por tonelada no longo prazo — contra US$ 90 do caso-base da Ativa —, o que indica que o mercado cobra desconto pelo minério e pela ausência de repasse na siderurgia, e não está pessimista com a companhia.
“A assimetria trabalha contra o comprador: o cenário negativo zera o equity, enquanto o positivo adiciona 93% — e o FCFF yield de 2027 mostra assimetria desfavorável nos níveis atuais”, conclui Arbetman.






