A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 deve ser positiva para o setor de shoppings no Brasil, segundo prévia divulgada pela XP Investimentos.
A atividade resiliente dos lojistas, a alta taxa de ocupação e a disciplina de custos devem sustentar receitas recorrentes sólidas, apesar de um carrego mais fraco do IGP-DI/M limitar a indexação dos aluguéis no período.
A dispersão entre as companhias deve refletir principalmente o mix de receitas, os efeitos tributários e as bases de comparação.
“Esperamos uma temporada positiva no segundo trimestre de 2026 para as income properties brasileiras, sustentada pela atividade resiliente dos shoppings e pelo crescimento em aeroportos e logística”, afirmam Ygor Altero e João Rodrigues, analistas da XP Investimentos.
Multiplan e Allos se destacam no trimestre
A Multiplan (MULT3) deve ser o principal destaque do trimestre. A companhia deve reconhecer R$ 253 milhões em créditos tributários de PIS/COFINS de forma acelerada, além de registrar menores custos imobiliários — combinação que deve impulsionar Ebitda e FFO (Funds from Operations) de forma expressiva.
Contudo, a margem NOI deve ser temporariamente diluída por maiores despesas com propriedades na comparação anual.
A Allos (ALOS3), por sua vez, combina rentabilidade saudável com crescimento de receita de base ampla, abrangendo serviços, estacionamento e aluguel.
“A Allos deverá se beneficiar de um crescimento de receita de base ampla, enquanto a Iguatemi (IGTI11) combina sólido crescimento de varejo e serviços com uma comparação anual mais difícil, dada a base de ganhos com propriedades do ano passado”, destacam Altero e Rodrigues.
Para a Iguatemi, o Ebitda e o FFO ajustados, excluindo efeitos não recorrentes, devem crescer na comparação anual, refletindo um bom momento operacional. No entanto, a base de comparação mais exigente deve limitar a magnitude dos avanços reportados.
Aeroportos e logística ampliam os destaques
Além dos shoppings tradicionais, a JHSF (JHSF3) e a Loggi (LOGG3) devem adicionar destaques operacionais ao trimestre. A JHSF deve entregar crescimento expressivo de resultados, impulsionado pelo ramp-up do aeroporto e pelo reconhecimento de receita imobiliária proveniente da venda de terrenos.
“O lucro líquido ajustado da JHSF deve registrar forte alta no trimestre, sustentado pelo avanço das operações aeroportuárias e pela receita de venda de terrenos”, ressaltam os analistas da XP.
A Loggi, por sua vez, deve se beneficiar de maiores receitas de locação de galpões e de administração de condomínios, sustentando a rentabilidade ajustada.
“No geral, as diferenças de resultados devem decorrer amplamente do mix de receitas, dos efeitos tributários e das bases de comparação entre as companhias do setor”, concluem Ygor Altero e João Rodrigues.






