A EQI Research abriu uma operação de valor relativo no setor de petróleo que aposta no desempenho superior da PRIO (PRIO3) frente à Brava Energia (BRAV3). A recomendação saiu na série Ideias de Trade e muda a lógica que a casa vinha adotando, com estratégias montadas até então entre Petrobras e a própria PRIO.
As duas companhias ocupam o mesmo nicho, o das junior oils, produtoras independentes de porte médio. A semelhança para por aí. A PRIO produz praticamente o dobro da Brava e chega a esta operação com ritmo de investimento e sensibilidade ao barril bastante distintos.
O preço do petróleo segue como o fator que comanda o setor, e é dele que dependem os desdobramentos da estratégia. Nicolas Merola, analista da EQI Research, dedicou a primeira parte do relatório a mapear hipóteses para a commodity. Nenhuma delas, contudo, tem qualquer garantia de se confirmar.
“O cenário pode mudar drasticamente do dia para a noite com uma única notícia, com um único movimento dentre todos os players que estão envolvidos nos conflitos no Oriente Médio”, afirmou Merola.
A partir desse mapa, o analista descreveu como a operação reagiria em cada caso. A conta é assimétrica: há mais de uma hipótese em que a PRIO responde melhor do que a Brava, e apenas uma em que o resultado se inverte.
Alavancagem operacional separa as duas petroleiras
Esse único cenário adverso envolve uma disrupção de grande porte. Uma intensificação do conflito no Oriente Médio que atinja a produção mundial, a logística ou a infraestrutura, empurrando o barril para cima com força. A explicação está na estrutura de custos das duas empresas.
“A principal [diferença] é que a Brava tem uma alavancagem operacional muito maior do que a PRIO”, observou o analista da EQI Research.
Essa característica funciona nos dois sentidos, e é justamente aí que a operação encontra sua margem. Petróleo estável ou em queda penaliza a Brava e favorece a PRIO. Petróleo em alta acelerada beneficia as duas, mas beneficia mais a Brava.
“Se esse petróleo começar a subir muito rápido, muito forte, isso começa a contar positivamente para a Brava em detrimento [da PRIO]”, disse Merola. “Também positivamente para a PRIO, mas menos positivo.”
Nesse desenho, a PRIO entregaria uma performance inferior à da concorrente e a operação sairia perdendo. Entretanto, o próprio analista trata a hipótese como a menos provável entre as que colocou no relatório.
Múltiplos iguais, ciclos de caixa distintos
A terceira parte do documento trata de precificação, e o ponto de partida é a equivalência. Os múltiplos das duas companhias hoje praticamente se encostam, o que retira do valuation qualquer papel de gatilho imediato para a operação.
“Elas têm uma relação EV/Ebitda, que é o principal indicador, muito próxima, na casa dos 3,5 vezes”, calculou Merola.
A diferença aparece quando se olha para o que cada uma pretende fazer com o caixa. A PRIO já executou a maior parte dos investimentos previstos em seu portfólio e se aproxima de uma bifurcação. Ou anuncia um novo projeto, ou devolve recursos ao acionista.
O primeiro caminho esbarra na escassez de ativos disponíveis. “Hoje o mercado está bem fechado, a gente não tem muitas oportunidades dentro do mercado de petróleo”, apontou o analista.
Resta o segundo. Merola trabalha com a hipótese de que a companhia distribua esses recursos via recompra de ações ou aumento de dividendos. Num primeiro momento, parte do dinheiro também pode ir para a redução da alavancagem, com pré-pagamento de dívidas.
É desse conjunto que nasce a expectativa de reprecificação do papel. A Brava também gera caixa, mas quem entra agora no ciclo mais forte é a PRIO, segundo o relatório.
“No ano de 2027, a nossa projeção é que a geração de caixa livre da PRIO seja maior do que a da Brava”, projetou o analista da EQI Research.
O re-rating, portanto, depende menos do barril e mais da sinalização da companhia ao longo deste ano sobre o destino do fluxo de caixa em 2027.






