Geilson Santana conheceu Luiz Felipe quando ele ainda era um bebê. Na época, trabalhava no circo da família do garoto no Brasil. Anos depois, os dois voltariam a se encontrar em outro picadeiro, desta vez como trapezistas do Cirque du Soleil.
A história dos dois é apenas uma das trajetórias brasileiras que hoje se encontram em Alegría – In A New Light. Há quem tenha crescido dentro de uma família circense, quem tenha começado na ginástica olímpica e quem tenha construído a carreira nos palcos do teatro musical.
Os caminhos para entrar na companhia também variam. Alguns artistas procuram os processos de seleção do Cirque. Outros são encontrados por olheiros ou chegam por meio de indicações.
Luiz Felipe nasceu no circo e cresceu no trapézio

Para Luiz, o circo veio antes da escolha profissional. Seu pai tem um circo no Brasil e cordas e trapézios fizeram parte da infância tanto quanto das apresentações dos adultos.
“Quando a gente nasce em circo, as crianças têm outras brincadeiras. Pendurar na corda, subir no trapézio, aí cai ali, machuca, vai para o hospital, depois volta de novo, brinca”, conta.
Ele brinca que teve uma infância de “brincadeirinhas raiz”, distante das telas que hoje fazem parte da rotina de muitas crianças. Foi também nesse ambiente que começou a ensaiar trapézio.
Anos depois, indicações de profissionais que conheciam seu trabalho contribuíram para a chegada ao Cirque du Soleil. Entre elas estava a de Geilson, aquele mesmo artista que havia passado pelo circo de sua família quando Luiz ainda era bebê.

Agora, a temporada de Alegría trouxe outro reencontro: o de Luiz com o público brasileiro, desta vez como artista do Cirque.
“É uma gratidão enorme e um orgulho tanto para mim quanto para a minha família. Tenho certeza que os meus pais morrem de orgulho de eu poder estar aqui no Brasil trabalhando nessa empresa incrível”, afirma.
Do esporte para o trapézio
Pati Kuwai também começou cedo nos movimentos acrobáticos, mas longe do picadeiro.
Antes do circo, veio a ginástica olímpica. Ela começou no esporte ainda pequena e migrou mais tarde para a arte circense.

Hoje, integra o Flying Trapeze de Alegría, número em que os artistas se lançam de um trapézio a outro a metros do chão.
“Foi o Brasil que me formou”
Não foram os aparelhos acrobáticos que aproximaram Cássia Raquel do Cirque du Soleil, mas os palcos brasileiros.
A cantora trabalhou com diferentes formatos de teatro musical no País, de franquias a produções biográficas e infantis, e também se formou em música clássica.

Há cinco anos em Alegría, interpreta a Singer in Black. Para Cássia, a formação e as experiências no Brasil foram fundamentais para chegar ao papel que ocupa hoje.
“Eu acredito que tudo isso me ajudou a me desenvolver para hoje estar aqui como Singer in Black, com a voz madura, com a cabeça madura. Então, foi o Brasil que me formou.”
Agora, Cássia volta ao Brasil com Alegría, cinco anos depois de entrar para a produção.
Como se entra para o Cirque du Soleil?
Se nem a formação dos artistas segue um padrão, a contratação também não.
Segundo Geilson, existem pelo menos dois caminhos. “Você aplica para o casting do Cirque du Soleil como artista ou também eles têm olheiros que ficam buscando artistas em diferentes países, em diferentes vídeos, em festivais.”
No caso dele, foi a companhia que fez o primeiro movimento. Geilson foi procurado e não havia participado de um casting naquele momento.

Luiz também foi chamado pela companhia e conta que chegou ao Cirque por meio de indicações. Uma delas veio do próprio Geilson, que já havia trabalhado no circo de sua família.
O bebê que Geilson conheceu no circo de uma família brasileira cresceu, virou trapezista e acabou indicado por ele para uma companhia internacional. Hoje, os dois dividem o elenco de Alegría.
Não há uma receita para chegar ao Cirque du Soleil. Geilson foi procurado pela companhia. Luiz cresceu no circo e chegou por indicação. Pati começou na ginástica olímpica e Cássia construiu a carreira nos palcos brasileiros.
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