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Brava mira produção de até 100 mil barris por dia em 2027, diz BTG

Brava mira produção de até 100 mil barris por dia em 2027, diz BTG

Chegada da Ecopetrol como controladora amplia opções estratégicas da Brava, mas banco ainda não vê visibilidade sobre os planos

A colombiana Ecopetrol assumiu o controle acionário da Brava Energia (BRAV3). O BTG Pactual revisitou a tese de investimento na petroleira brasileira à luz da mudança. O banco reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 23 por ação para o fim de 2027.

“Acreditamos que o caso da Brava já oferece marcos relevantes e potenciais de valorização próprios, incluindo a execução da campanha offshore, a arbitragem de Papa-Terra e as discussões sobre o bloco BC-10”, escreveram Rodrigo Almeida, Gustavo Cunha, Daniel Guardiola, Alvaro Leyva e Juan Manuel Sanchez, analistas do BTG Pactual.

Informações de mercado sugerem que a Ecopetrol pode usar a Brava como plataforma de crescimento no Brasil. A colombiana traria sua experiência em campos maduros e onshore, além de poder incorporar seu portfólio brasileiro à companhia.

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Um dos ativos citados é o campo de Orca, no qual a Ecopetrol detém 30%. O projeto está começando a fase de desenvolvimento. Para o BTG, mudanças estratégicas na Brava podem levar tempo para se concretizar. A avaliação considera a transição de gestão em curso na própria Ecopetrol.

Ecopetrol traz opcionalidade, mas planos ainda são incertos

O BTG reconhece que a chegada da Ecopetrol amplia as opções estratégicas da Brava. As intenções da controladora, porém, seguem incertas para o banco.

“Atualmente não temos visibilidade sobre o momento, a estrutura ou a avaliação de qualquer transação, enquanto a transição de gestão em curso na Ecopetrol pode fazer com que decisões estratégicas levem um tempo relativamente longo para serem implementadas”, escreveram os analistas.

Por outro lado, o plano isolado da Brava já sustenta forte inflexão de caixa a partir do 2º semestre de 2027. Uma eventual incorporação da Ecopetrol Brasil, porém, precisaria de análise própria. A avaliação passaria pelos termos oferecidos aos minoritários e por possíveis sinergias tributárias. Entraria na conta também a necessidade de recursos para o Orca antes da produção do primeiro óleo.

Entrega operacional é o principal catalisador de curto prazo

A Brava também colhe contribuição da área de Downstream, refino e distribuição de derivados, favorecida por margens de refino fortes. Parte da produção está protegida por hedges, contratos que travam o preço de venda.

“Vemos a Brava no caminho certo para entregar a campanha integrada de Papa-Terra e Atlanta, com quatro poços, dentro do prazo e do orçamento, o que deve levar a produção a uma faixa de 90 mil a 100 mil barris de óleo equivalente por dia em 2027”, escreveram Almeida, Cunha, Guardiola, Leyva e Sanchez.

Cerca de 44% da produção prevista para os próximos doze meses está protegida a US$ 66 por barril. O mecanismo limita a captura integral da alta do petróleo pela companhia. Ainda assim, o BTG projeta Ebitda de cerca de US$ 1,3 bilhão em 2026 e US$ 1,1 bilhão em 2027.

O banco espera que a Brava continue reduzindo a alavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda deve ficar perto de 1 vez até o fim de 2027. O capex deve seguir elevado até a conclusão da campanha, limitando a geração de caixa no curto prazo.

O BTG estima geração trimestral de caixa livre para o acionista de cerca de US$ 130 milhões. A conta considera o petróleo Brent a US$ 70 por barril. O fluxo valeria a partir do 2º semestre de 2027 e ao longo de 2029. O valor seria suficiente para cobrir compromissos de fusões e aquisições e o serviço da dívida.

“Acreditamos que a tese de investimento na Brava dá acesso a uma plataforma upstream em evolução no Brasil, com oportunidades de crescimento e opcionalidades a serem capturadas nos próximos anos”, concluíram os analistas.