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SLC: BofA aponta resiliência operacional, mas mantém postura neutra

SLC: BofA aponta resiliência operacional, mas mantém postura neutra

Margens mais apertadas no agro devem persistir até 2027, elevando a importância do controle de custos e da eficiência operacional

A SLC Agrícola (SLCE3) realizou seu Farm Day 2026 na fazenda Pamplona e reforçou ao mercado sua estratégia de atravessar um ciclo mais desafiador no agronegócio com foco em disciplina de custos e preservação de margens.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (16), o Bank of America destaca que, embora o ambiente de preços de commodities siga pressionado, a companhia mantém eficiência operacional e flexibilidade para crescer. O banco reiterou recomendação neutra para o papel, citando uma relação equilibrada entre riscos e oportunidades no cenário atual.

Pressão de margens e oportunidades de expansão

Segundo o BofA, o setor agrícola brasileiro enfrenta compressão de margens desde 2025, tendência que deve se intensificar até 2027 diante de uma base de custos estruturalmente mais elevada. Ainda assim, esse contexto pode abrir espaço para investimentos e consolidação.

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“O ambiente de margens mais apertadas pode destravar oportunidades relevantes de expansão, especialmente para operadores com escala e balanço sólido”, afirmam os analistas Isabella Simonato, Julia Zaniolo e Fernando Olvera.

A SLC, nesse contexto, mantém capacidade de alavancagem para investir, ainda que priorize a rentabilidade no curto prazo.

Mesmo com o cenário mais adverso, a companhia demonstrou evolução moderada no valor de seus ativos. O valor líquido dos ativos (NAV) cresceu 1% na comparação anual, para R$ 13,5 bilhões, refletindo o momento mais fraco das commodities agrícolas. Desde o IPO, em 2007, o portfólio de terras acumulou valorização média de 12,7% ao ano, reforçando a tese de longo prazo da empresa como gestora de ativos agrícolas.

Produtividade resiliente apesar do clima

A análise do banco também aponta que o desempenho das safras segue relativamente robusto, ainda que impactado por eventos climáticos. A soja atingiu produtividade recorde na safra 2025/26, embora abaixo do potencial máximo da companhia, enquanto o milho de segunda safra deve registrar queda de produtividade em linha com o esperado, pressionado pelo atraso no plantio e menor volume de chuvas.

“A diversificação geográfica e a expansão da irrigação seguem como pilares fundamentais para mitigar riscos climáticos e suavizar a volatilidade dos resultados”, destacam Isabella Simonato, Julia Zaniolo e Fernando Olvera.

A companhia elevou sua projeção de área irrigada para 58,4 mil hectares, sendo 19 mil já desenvolvidos, reforçando a proteção operacional em cenários adversos.

Controle de custos e estratégia comercial

O Bank of America também chama atenção para a estratégia antecipada e disciplinada de compra de insumos, que deve limitar a pressão inflacionária sobre os custos. Enquanto o mercado projeta aumento próximo de 20% nos custos de insumos, a SLC estima alta de cerca de 4%. Fertilizantes como potássio e fosfato já foram contratados para 2027, enquanto defensivos agrícolas estão majoritariamente fixados com redução anual de preços.

“A gestão ativa de compras e o avanço no hedge aumentam significativamente a visibilidade de resultados, mesmo em um ambiente de preços mais fracos”, afirmam os analistas.

O hedge de algodão para 2026/27, por exemplo, avançou para 43% da produção, com preços estáveis em relação ao primeiro trimestre de 2026, reduzindo a exposição à volatilidade do mercado.

Além da disciplina operacional, a reforma tributária surge como vetor adicional de eficiência. A companhia estima potencial de economia anual em torno de R$ 100 milhões após implementação completa, embora com impacto positivo acompanhado por maior necessidade de capital de giro. Ainda assim, o aumento na geração de créditos tributários deve compensar parte dessa pressão.