A SLC Agrícola (SLCE3) divulgou projeções atualizadas para as safras 2025/26 e 2026/27, destacando uma estratégia robusta de proteção de preços e câmbio, além de um avanço relevante em seu projeto de irrigação.
Para a safra 2025/26, a companhia apresenta elevado nível de hedge, especialmente em soja e algodão, reforçando proteção contra volatilidade. No caso da soja, cerca de 77,8% da exposição cambial está protegida, além de 76,3% da commodity hedgeada, enquanto o algodão também mostra níveis elevados, com hedge acima de 78% no câmbio e quase 90% na commodity.
Já para 2026/27, o grau de proteção é menor, refletindo uma estratégia de maior abertura para capturar eventuais ganhos de preço. A soja tem hedge cambial de apenas 3,5% e hedge de commodity de 19,4%, enquanto o algodão apresenta 0,4% de proteção cambial e 43,5% na commodity.
Hedge mais elevado na safra atual e flexibilidade futura
A diferença entre os ciclos mostra uma abordagem tática: maior previsibilidade de receitas no curto prazo e maior exposição ao mercado no médio prazo. No milho, por exemplo, a proteção ainda é mais limitada, com hedge de commodity de 17,4% na safra 2025/26 e praticamente inexistente para o ciclo seguinte.
Além disso, os preços travados indicam patamares relevantes, como cerca de US$ 11,22 por bushel para a soja em 2025/26 e US$ 11,82 para 2026/27, além de 74,95 centavos de dólar por libra para o algodão no curto prazo.
Outro ponto destacado é a presença de compromissos financeiros atrelados a dólar e soja, que funcionam como hedge natural, contribuindo para reduzir riscos operacionais e de fluxo de caixa.
Avanço do projeto de irrigação amplia produtividade
No campo operacional, a SLC apresentou avanços importantes em seu projeto de irrigação, que deve mais do que triplicar a área irrigada ao longo dos próximos anos. A área total prevista passa de 19 mil hectares para cerca de 58 mil hectares, uma expansão de 206,7%.
A implementação já prevista para a safra 2026/27 adiciona cerca de 6,7 mil hectares irrigados, com expansão adicional planejada em diversas fazendas, incluindo unidades na Bahia e Goiás.
Segundo a companhia, o investimento em irrigação tem como objetivo mitigar riscos climáticos, aumentar a produtividade e permitir maior uso da terra com a introdução de segunda safra. A iniciativa também deve contribuir para maior estabilidade na produção ao longo dos ciclos agrícolas.

Portfólio de terras
A SLC também divulgou a atualização de 2026 do seu portfólio de terras, indicando leve valorização dos ativos e reforçando a consistência de sua estratégia patrimonial. Segundo a companhia, o conjunto de propriedades próprias e áreas sob gestão em parceria com fundos foi avaliado em R$ 13,5 bilhões, com laudo elaborado pela consultoria independente Deloitte.
O valor médio do hectare agricultável apresentou avanço de 1,0% na comparação com a avaliação anterior, alcançando R$ 59,5 mil. O resultado reflete uma continuidade na valorização das terras, ainda que em ritmo mais moderado, em linha com ajustes recentes no mercado agrícola.
Além da valorização dos ativos, a atualização também trouxe impacto positivo no valor líquido da companhia (NAV), que registrou incremento de 0,6% em relação ao patamar divulgado no fim de março de 2026. O indicador é acompanhado de perto por investidores como referência do valor patrimonial dos ativos da empresa.
A metodologia utilizada na avaliação seguiu padrões técnicos da ABNT e foi baseada no método comparativo direto de dados de mercado, que analisa transações de propriedades similares para determinar o valor justo dos ativos. O cálculo considera apenas o valor da terra nua, sem incluir benfeitorias, instalações ou maquinário, reforçando a transparência e comparabilidade dos números divulgados.
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