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Análise: Natura reduz meta de margem e perde tração no mercado local

Análise: Natura reduz meta de margem e perde tração no mercado local

Receita da Natura no Brasil caiu 14,8% no 2º trimestre de 2026, para R$ 3 bilhões, e a piora foi bem maior que os 3% registrados nos três meses anteriores.

A Natura (NTCO3) encerrou o 2º trimestre de 2026 com receita líquida consolidada de R$ 5,2 bilhões, queda de 9% em um ano, e Ebitda contábil de R$ 620 milhões.

O Brasil concentrou a piora. A receita local caiu 14,8%, para R$ 3 bilhões, contra retração de 3% nos três meses anteriores. A marca Avon recuou 22,5% no país.

A operação hispânica seguiu no caminho oposto. Cresceu 0,7% em reais e 7% em moeda constante, para R$ 2,1 bilhões, puxada pelo México e pela recuperação da Argentina.

Números fracos, mas já sinalizados ao mercado

“Os resultados operacionais ficaram em linha com nossas estimativas e no topo do consenso de mercado”, escreveram Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, analistas do BTG Pactual.

Parte da queda no Brasil veio de fatores pontuais. A indisponibilidade de produtos após uma integração de sistemas e um descasamento temporário de tributos indiretos tiraram 2 pontos percentuais do crescimento.

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“Todas as subcategorias no Brasil seguiram registrando queda de vendas, e o desempenho de Casa & Estilo permaneceu aquém do esperado”, apontaram Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello, do Banco Safra.

A margem bruta cedeu 70 pontos-base, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) subiram 150 pontos-base como proporção da receita. Sem os R$ 23 milhões de despesas com demissões e os R$ 53 milhões em créditos tributários, o Ebitda ajustado teria ficado em R$ 591 milhões, 26% menor que um ano antes.

Meta de margem revisada muda o eixo da discussão

A companhia trocou a promessa de superar a margem Ebitda recorrente de 14,1% de 2025 pela de bater a margem contábil de 10% do mesmo ano. No primeiro semestre, o indicador ficou em 9,7%.

“Acreditamos que isso já foi parcialmente incorporado pelo mercado, mas ainda pode representar risco adicional de baixa para o consenso”, ponderou a equipe do BTG Pactual.

O lucro líquido contábil despencou para R$ 35 milhões, ante R$ 446 milhões um ano antes, pressionado por R$ 297 milhões de despesas financeiras líquidas, com custos de carrego e liquidação de hedges de dívida em dólar. A dívida líquida caiu R$ 179 milhões no trimestre, e a alavancagem chegou a 2,35 vezes o Ebitda dos últimos doze meses.

“O case de investimento está cada vez mais dependente da capacidade da Advent de trazer uma execução mais forte, renovar a gestão onde for necessário e repensar a estratégia do canal de vendas”, afirmaram os analistas do BTG Pactual.

O Safra chegou à mesma recomendação por outro caminho, o do preço. Ambas as casas mantiveram a Natura em neutro.

“Com a visibilidade limitada sobre a recuperação da divisão Brasil e a ação negociando a 9,1 vezes o lucro projetado para 2026, vemos oportunidades melhores dentro da nossa cobertura de consumo discricionário”, escreveram os analistas do Banco Safra.