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Resultado ruim da Tupy decepciona até as piores expectativas

Resultado ruim da Tupy decepciona até as piores expectativas

Alavancagem avançou de 2,6 para 3,4 vezes o Ebitda ajustado no trimestre, refletindo a deterioração operacional da companhia

O quarto trimestre de 2025 da Tupy (TUPY3) frustrou até mesmo as expectativas mais conservadoras do mercado. A companhia reportou resultados abaixo das estimativas do BTG Pactual tanto na receita quanto nas margens, reforçando o cenário de recuperação lenta para os próximos trimestres.

Esperávamos um conjunto fraco de resultados para a Tupy no quarto trimestre, mas a companhia reportou números ainda mais fracos, principalmente devido a surpresas negativas tanto na receita quanto nas margens”, afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.

Receita e Ebitda desapontam

A receita líquida totalizou R$ 2,2 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 12% na comparação anual e 6% abaixo da estimativa do BTG. O Ebitda reportado atingiu R$ -273 milhões, pressionado por R$ 312 milhões em itens não recorrentes, incluindo impairment de R$ 325 milhões, custos de reestruturação de R$ 72 milhões e redução ao valor realizável de estoques de R$ 40 milhões.

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Esses impactos foram parcialmente compensados por R$ 174 milhões provenientes da venda de créditos tributários de IPI. Ajustado pelos efeitos não recorrentes, o Ebitda chegou a R$ 39 milhões — queda de 85% na comparação anual e 55% abaixo da projeção do banco.

O Ebitda ajustado implicou uma margem fraca de 2%, queda de 8,3 pontos percentuais na comparação anual e 2 pontos percentuais abaixo da nossa estimativa”, destacam Marquiori, Recchia e Alkmim.

Volumes fracos em todas as frentes

A divisão de Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura registrou queda de 17% na receita anual. A receita doméstica recuou 40% na comparação anual, impactada pela fraca demanda por veículos pesados em meio a juros elevados e exportações indiretas dos clientes. No mercado externo, a retração foi de 5%, influenciada pelo ambiente de incerteza tarifária.

O segmento de Energia e Descarbonização foi o único a crescer, com alta de 23% na receita anual. Contudo, a receita doméstica total caiu 22% no período, para R$ 799 milhões, enquanto a receita externa recuou 6%, para R$ 1,4 bilhão.

Alavancagem avança e preocupa

O Capex totalizou R$ 177 milhões no quarto trimestre de 2025, ante R$ 93 milhões no terceiro trimestre, direcionado a novos programas de fundição, eficiência operacional e padrões de saúde e segurança.

A alavancagem aumentou sequencialmente para 3,4 vezes a relação dívida líquida/Ebitda ajustado, ante 2,6 vezes no terceiro trimestre, refletindo a tendência operacional mais fraca”, apontam os analistas.

BTG mantém neutro

O BTG reitera recomendação neutro para a Tupy. Os analistas elencam quatro fatores a monitorar: o impacto das tarifas nos volumes externos, as tendências de produção automotiva doméstica, o ritmo de contratos de manufatura e a trajetória da alavancagem e geração de caixa.

“Acreditamos que o momentum de lucros deve permanecer lento nos próximos meses e, até que tenhamos maior visibilidade sobre os resultados, preferimos manter recomendação neutro para o papel”, concluem Marquiori, Recchia e Alkmim.

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