A Simpar (SIMH3) divulgou o resultado do primeiro trimestre de 2026 que dividiu as opiniões do mercado.
O BTG Pactual (BPAC11) reiterou recomendação de compra para a holding, com preço-alvo de R$ 11, e colocou a desalavancagem destravada pela follow-on recente como tese central.
Já o Banco Safra manteve visão neutra, com preço-alvo de R$ 12,40, ao destacar a despesa financeira ainda elevada como ponto de atenção persistente.
A receita líquida consolidada do trimestre alcançou R$ 11,1 bilhões, alta de 6% na comparação anual e queda de 1,5% frente ao quarto trimestre de 2025.
O Ebitda ajustado somou R$ 3,2 bilhões, crescimento de 14% em base anual, com margem ampliada em 227 pontos-base, para 29,2%. Apesar do desempenho operacional positivo, a empresa reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 64 milhões, ante prejuízo de R$ 41 milhões no mesmo trimestre de 2025.
BTG vê inflexão
A tese central do BTG recai sobre a desalavancagem da holding, em movimento que ganhou tração após a follow-on. A Simpar concluiu a oferta com captação de R$ 1,8 bilhão, equivalente a 89% do volume máximo previsto, com recursos líquidos de R$ 1,6 bilhão direcionados ao HoldCo.
Segundo o banco, a dívida líquida da holding pro-forma recua para R$ 0,7 bilhão, ante R$ 2,8 bilhões reportados no encerramento do trimestre, queda de 74%.
“Vemos isso como um passo significativo na agenda de desalavancagem do grupo”, afirmaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim em relatório. A casa também citou a venda da Ciclus Amazônia e oportunidades adicionais de reciclagem de portfólio como vetores complementares para a continuidade da redução de endividamento ao longo dos próximos trimestres.
Leia também:
Safra prefere aguardar
O Safra adotou tom mais cauteloso na leitura do trimestre. A casa destacou que a despesa financeira da Simpar avançou 13,4% em base anual, alcançando R$ 2,0 bilhões, com custo médio da dívida em 16,9%, alta de 130 pontos-base no comparativo anual. A dívida líquida consolidada permaneceu estável em R$ 41 bilhões.
“Bons resultados operacionais minados pela elevada carga financeira”, resumiram os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy. Para o Safra, a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda permaneceu em 3x, distante do teto de covenant de 4x, mas ainda em patamar que mantém pressão sobre o resultado consolidado da holding e justifica a postura mais comedida.
A Movida (MOVI3) foi o principal destaque do trimestre nas leituras das duas casas. O Ebitda da subsidiária somou R$ 1,6 bilhão, com margem consolidada em 41,5%, expansão de 392 pontos-base em base anual, segundo o BTG.
O lucro líquido alcançou R$ 124 milhões, alta de 59,6% no comparativo anual, sustentado por reajustes tarifários nos segmentos de Rent-a-Car e Gestão e Terceirização de Frotas, além de mix de receita mais favorável, com menor exposição à venda de seminovos.
A Vamos (VAMO3) entregou desempenho sólido em locação, com taxa de utilização da frota subindo para 88%, frente a 85% no mesmo período do ano anterior, conforme o Safra. Apesar disso, a margem Ebitda consolidada recuou 785 pontos-base, refletindo maior contribuição da venda de ativos, segmento estruturalmente de menor margem.
A JSL (JSLG3) registrou Ebitda ajustado com alta de 2,8% em base anual, com performance operacional ofuscada por aumento de 13% nas despesas financeiras líquidas.
Os indicadores consolidados da holding refletem a tensão entre operacional e financeiro identificada pelas duas casas. O ROIC excluindo a BBC Digital alcançou 18% no trimestre, ante 17% no quarto trimestre de 2025, segundo o BTG, enquanto o caixa avançou para R$ 13,9 bilhões.
Apesar da postura mais cautelosa, o Safra trabalha com preço-alvo de R$ 12,40 para a Simpar, contra R$ 11,00 do BTG, o que configura potencial de valorização de 18% em sua estimativa, frente a 3,8% do banco que mantém recomendação de compra.






