A Frasle (FRAS3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados abaixo das expectativas e acendeu um alerta sobre a capacidade de crescimento orgânico da companhia nos próximos trimestres. Para os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP Investimentos, o conjunto de números divulgados reforça uma visão cautelosa — e a recomendação Neutra segue inalterada.
O Ebitda ajustado totalizou R$ 214 milhões, com queda de 2% na comparação anual e recuo expressivo de 21% em relação ao trimestre anterior. A margem EBITDA ajustada de 15,4% contraiu 4,2 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024, encerrando o ano no piso do intervalo de guidance – 17,8% no acumulado de 2025 contra uma faixa projetada de 17,5% a 20,5%.
“A rentabilidade contraiu mais do que antecipávamos, refletindo maiores custos de matérias-primas, um mix de produtos menos favorável e volumes sazonalmente mais baixos”, apontam os analistas.
A receita líquida de R$ 1,4 bilhão cresceu 25% na comparação anual, mas o número mascara uma deterioração relevante: de forma orgânica, a queda foi de 9%. A consolidação da Dacomsa foi o principal fator de sustentação. Sem ela, o quadro seria significativamente pior, especialmente diante da fraqueza no mercado externo.
“As receitas externas foram especialmente pressionadas por um ambiente econômico incerto nos Estados Unidos, que afetou tanto os segmentos de reposição quanto OEM”, destacam Laghi, Urbano e Nippes.
No mercado doméstico, o segmento de OEM recuou 33% na comparação anual, impactado pela queda nas vendas de veículos pesados no Brasil.
Projeções
O guidance para 2026 veio em linha com as estimativas da XP: receita líquida entre R$ 5,6 bilhões e R$ 6,2 bilhões e margem EBITDA entre 17,5% e 20%. Mas os analistas alertam para os riscos embutidos.
“O 1S25 representa uma base de comparação desafiadora para a América do Norte, enquanto fatores específicos da companhia – integração da Nakata e mudança de ERP – podem continuar pressionando a execução no curto prazo”, pontuam.
No valuation, a XP vê pouco conforto. “Negociando a P/E 2026 de 16,0 vezes, os níveis atuais deixam margem de segurança limitada caso o crescimento orgânico continue se normalizando”, concluem os analistas, reiterando a recomendação neutra.






