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Recuperação extrajudicial derruba rating do GPA

Recuperação extrajudicial derruba rating do GPA

Segundo a Fitch, a decisão foi motivada pela estratégia da empresa de renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras por meio desse mecanismo de reestruturação

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo do GPA (PCAR3), de “CCC(bra)” para “C(bra)”, refletindo o acordo firmado pela companhia com credores para estruturar um plano de recuperação extrajudicial.

Segundo a Fitch, a decisão foi motivada pela estratégia da empresa de renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras por meio desse mecanismo de reestruturação. O acordo envolve os principais credores da companhia e abrange a totalidade de suas obrigações financeiras, embora a agência afirme que ainda há visibilidade limitada sobre as condições finais que serão estabelecidas no plano.

A agência também alertou que o rating pode sofrer novos rebaixamentos dependendo do desfecho das negociações. Caso o plano de reestruturação seja formalizado nos termos atuais, a classificação pode cair para “RD” (Restricted Default), que indica uma situação de inadimplência restrita. Por outro lado, se as negociações não avançarem e a empresa optar por entrar com pedido de recuperação judicial, o rating poderá ser reduzido para “D”, nível que representa default.

Pressão sobre caixa e dívida elevada

De acordo com a Fitch, a deterioração da qualidade de crédito da companhia está ligada à pressão sobre sua geração de caixa. O GPA tem enfrentado elevado consumo de caixa devido ao pagamento de juros considerados incompatíveis com sua capacidade atual de geração de recursos.

Além disso, a empresa também vem lidando com saídas relevantes de caixa relacionadas a contingências tributárias e trabalhistas. Esse cenário aumentou os riscos de refinanciamento, especialmente porque cerca de R$ 1,7 bilhão da dívida total vence ao longo de 2026.

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Na avaliação da Fitch, a decisão de iniciar uma recuperação extrajudicial aproxima a situação da empresa de um processo de inadimplência. A agência afirmou que os atuais ratings refletem justamente o fato de que a companhia iniciou um processo considerado semelhante a default.

O JPMorgan mantém recomendação de venda para as ações do GPA, embora não tenha divulgado um preço-alvo para os papéis da companhia.

Na avaliação do banco, o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela empresa representa uma continuidade dos esforços para reestruturar seu endividamento e preservar a continuidade das operações.

Ainda assim, os analistas destacam que o grupo segue enfrentando um cenário desafiador, tanto no nível de alavancagem financeira quanto no desempenho operacional do dia a dia.