A Randoncorp (RAPT4) reforçou durante seu Investor Day, realizado na segunda-feira (23), em São Paulo, que deve enfrentar um ambiente desafiador em 2026, marcado por juros elevados e demanda ainda fraca nos mercados de caminhões e implementos rodoviários. A avaliação consta em relatório divulgado pelo Bradesco BBI após o evento.
Segundo os analistas, as mensagens apresentadas pela companhia foram construtivas, mas em linha com as expectativas do mercado. A administração destacou que a prioridade segue sendo a redução do endividamento e a busca por ganhos de eficiência operacional diante de um cenário macroeconômico considerado adverso.
A empresa projeta alcançar uma relação entre dívida líquida e Ebitda igual ou inferior a 2 vezes até 2027, sinalizando um processo gradual de desalavancagem. O Bradesco BBI estima que o indicador também deverá atingir 2 vezes ao final do período, mas observa que a companhia não apresentou uma meta específica para 2026.
Além da redução da alavancagem financeira, a Randoncorp apresentou metas de longo prazo para rentabilidade. A companhia pretende atingir retorno sobre o capital investido (ROIC) de pelo menos 15% e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 18%, objetivos vistos de forma positiva pelos analistas por reforçarem o compromisso da empresa com a geração de valor aos acionistas.
Apesar disso, o banco avalia que a visibilidade para uma recuperação mais consistente dos resultados ainda é limitada. O principal desafio continua sendo o ambiente de juros elevados, que restringe o crédito e afeta a demanda por caminhões e reboques, segmentos diretamente ligados ao desempenho da companhia.
Durante o evento, a administração também comentou sobre o programa Move Brasil 2. Na avaliação da empresa, a iniciativa deve contribuir para sustentar os volumes de produção, mas não tem potencial para promover uma mudança estrutural na demanda do setor.
O entendimento está alinhado à visão do Bradesco BBI, que acredita que o programa pode ajudar a estabilizar a produção nos níveis atuais, sem necessariamente desencadear um ciclo mais forte de crescimento.
Ações estão baratas, mas cenário segue sem catalisadores
Mesmo com as ações da Randoncorp negociadas próximas das mínimas dos últimos cinco anos, os analistas mantêm cautela em relação à tese de investimento.
O relatório destaca que os papéis parecem atrativos quando analisados pelo múltiplo EV/Ebitda projetado para 2026, de 4,4 vezes. No entanto, a avaliação muda quando considerado o indicador preço sobre lucro (P/L), estimado em 21 vezes.
Segundo o Bradesco BBI, os lucros e a geração de caixa da companhia continuam pressionados pelo elevado custo da dívida, reflexo do atual patamar das taxas de juros no Brasil.
Dessa forma, embora as ações estejam descontadas sob algumas métricas, a instituição avalia que a tese de investimento ainda carece de catalisadores mais claros para uma reprecificação relevante no mercado. A combinação entre condições setoriais desafiadoras e a perspectiva de juros elevados por mais tempo limita a confiança dos investidores em uma recuperação mais robusta a partir de 2027.
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