A Randoncorp (RAPT3; RAPT4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 47,6 milhões, ante perda de R$ 7,7 milhões no mesmo período de 2025 – deterioração de 520,6%.
A receita líquida consolidada somou R$ 3,1 bilhões, recuo de 3,4% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado chegou a R$ 370,4 milhões, com margem de 12%, queda de 1,3 ponto percentual frente ao primeiro trimestre de 2025.
A administração reconheceu o ambiente hostil, mas reafirmou a estratégia de longo prazo.
“Após atravessarmos um ciclo desafiador no ano passado, iniciamos 2026 com a mesma disciplina e com a continuidade da execução consistente da estratégia”, escreveu a empresa em sua carta aos investidores.
Resultados ruins
Entre os vetores negativos, a vertical Controle de Movimentos — responsável por 38% da receita — foi a que mais pesou, afetada pela migração do sistema ERP e pela implantação do sistema de automação logística 4Mobility na Frasle Mobility (FRAS3), unidade de Extrema, que comprometeu o faturamento em janeiro e fevereiro.
Além disso, as vendas de semirreboques caíram 14,7% no Brasil e 62% nos Estados Unidos na comparação anual, reflexo de um mercado pressionado por taxas de juros elevadas e baixa confiança dos compradores.
O resultado financeiro negativo de R$ 202 milhões – 20,8% pior – foi agravado pelo maior serviço da dívida e pela alta da Selic. “Rentabilidade foi afetada por maior nível de despesas financeiras e de alíquota efetiva de impostos frente ao primeiro trimestre de 2025”, apontou o relatório.
Estratégias
No campo estratégico, a companhia destacou a inauguração da fábrica da Suspensys em Mogi Guaçu, que contribuiu com R$ 163,9 milhões em receita no trimestre, e a expansão da AXN Automotive Systems nos Estados Unidos.
“Esses movimentos reforçam nossa diversificação e ampliam nossa capacidade de gerar resultados mais resilientes ao longo dos ciclos”, afirmou a gestão.
A alavancagem líquida, excluindo o Banco Randon, recuou de 3,75 vezes para 3,17 vezes o Ebitda em doze meses — trajetória que a empresa quer manter.
“Permanecem como prioridades estratégicas para 2026 a otimização do capital de giro, a disciplina nos investimentos e a redução do nível de alavancagem”, reiterou a companhia. O guidance de receita para o ano segue entre R$ 12,5 bilhões e R$ 14,0 bilhões.
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