As BDRs do Nubank (ROXO34) despencam em torno de 6,5% no início das negociações na B3 desta terça-feira (2). A mudança no comando financeiro do banco adicionou incertezas de curto prazo à tese de investimento nas ações do banco digital, segundo avaliação do BTG Pactual.
Rob Livingston foi nomeado novo CFO, com início em 13 de julho. Guilherme Lago, que ocupava o cargo há cinco anos e estava na empresa há sete, passará para uma função de assessor especial até 31 de agosto.
“Em um momento de maior incerteza em torno da tese — com preocupações sobre a expansão nos EUA e a qualidade dos ativos —, a mudança adiciona mais uma camada que pode prolongar o processo de reconvencimento dos investidores”, avaliam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Novo CFO vem da Visa com passagem de 18 anos no Capital One
Livingston atuou mais recentemente como CFO da América do Norte na Visa, a maior unidade de negócios da empresa, com passagens por Europa, China e Canadá. Antes disso, passou 18 anos no Capital One com experiência em crédito, marketing e finanças.
“Livingston tem currículo sólido e claramente possui as habilidades necessárias para liderar as finanças do Nu — sua trajetória na maior unidade da Visa e sua experiência no Capital One o qualificam para o desafio”, afirmam os analistas.
Lago teria decidido sair para empreender, segundo o Brazil Journal, após meses de conversas com o fundador David Vélez. Uma nova estrutura será criada, com a previsão de anúncio de um CFO específico para o Brasil em breve.
BTG reitera compra, mas tira Nubank do portfólio
O BTG reitera recomendação de compra, com o papel negociando abaixo de 12 vezes o lucro estimado para 2027.
“O Nubank pode precisar de dois ou três trimestres com boa qualidade de ativos e NIMs ajustados ao risco melhorando para convencer os investidores — e há risco real de que muitos simplesmente desistam do papel se os números decepcionarem”, alertam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Ainda assim, o banco retirou o Nubank do portfólio 10SIM de junho, substituindo pelo Itaú.
“Continuamos vendo o Nubank como um dos vencedores de longo prazo no espaço financeiro da América Latina — o ruído de curto prazo da troca do CFO não altera nossa visão estrutural positiva”, concluem os analistas.






