Após atravessarem um início de ano marcado por incertezas econômicas e volatilidade nos mercados, Randoncorp (RAPT4) e Frasle (FRAS3) começam a enxergar sinais mais favoráveis para a segunda metade de 2026. Embora os desafios permaneçam no radar, especialmente em relação aos juros elevados e ao cenário geopolítico global, as duas companhias demonstram confiança de que os próximos meses poderão trazer uma melhora gradual nos negócios, apoiada por iniciativas internas e pela normalização de alguns mercados-chave.
Em reunião realizada nesta semana com as áreas de Relações com Investidores das empresas, a XP identificou perspectivas distintas, mas complementares. No caso da Randoncorp, o ambiente segue mais desafiador, com a demanda por veículos pesados ainda sujeita a oscilações. Já a Frasle Mobility parece mais próxima de uma recuperação operacional, após um primeiro trimestre afetado por fatores considerados pontuais.
Para a Randoncorp, o principal obstáculo continua sendo a falta de uma retomada consistente da indústria de caminhões e implementos rodoviários. Dados recentes da Anfir mostram que as vendas do setor seguem pressionadas, refletindo um cenário de cautela por parte dos clientes. Além disso, a escalada de tensões geopolíticas no exterior adiciona novas incertezas ao ambiente de negócios, ao elevar os custos dos combustíveis e pressionar a dinâmica do transporte de cargas.
Move Brasil como incentivo
Nesse contexto, programas de incentivo ao financiamento, como o Move Brasil, são vistos como um fator de suporte para o mercado. Ainda assim, a expectativa é de que o impacto positivo aconteça de forma gradual, à medida que novas etapas do programa sejam implementadas e os transportadores ganhem maior previsibilidade para renovar suas frotas.
Apesar do cenário macroeconômico mais complexo, a companhia conta com algumas alavancas importantes de crescimento. Entre elas estão o avanço do contrato de fornecimento de vagões ferroviários e a ampliação das operações da Suspensys em Mogi Guaçu. Paralelamente, a empresa vem intensificando iniciativas de eficiência operacional, movimento que já começou a aparecer nos resultados recentes por meio da expansão das margens.
Ainda assim, a trajetória de recuperação não parece livre de obstáculos. Os analistas destacam que a manutenção dos juros em patamares elevados deve continuar pressionando as despesas financeiras da companhia, enquanto resultados negativos em participações relevantes, como a Addiante, podem seguir limitando o avanço do lucro líquido.
No caso da Frasle Mobility, a percepção é mais positiva. A avaliação é de que os resultados mais fracos observados no primeiro trimestre foram consequência de eventos específicos, como interrupções operacionais envolvendo a Nakata e a 4Mobility, e não de uma deterioração estrutural dos negócios.
Os sinais observados desde então indicam uma normalização gradual dos volumes, reforçando a expectativa de recuperação das margens nos próximos trimestres. O mercado de reposição automotiva no Brasil continua apresentando demanda resiliente, enquanto a operação na América do Norte começa a mostrar sinais mais claros de melhora, impulsionada por perspectivas mais favoráveis para a indústria de caminhões.
Outro fator que sustenta a visão positiva para a Frasle é sua capacidade histórica de integrar aquisições e capturar sinergias. Os ganhos relacionados a compras e suprimentos devem aparecer primeiro, enquanto os benefícios comerciais, especialmente por meio da integração entre as operações do Brasil e do México, tendem a ganhar força ao longo de 2027.
Câmbio: elemento de atenção
O câmbio, porém, permanece como um elemento de atenção. Um real mais valorizado frente ao dólar pode limitar parte do crescimento esperado para 2026, uma vez que reduz a contribuição das receitas internacionais quando convertidas para a moeda brasileira.
Do ponto de vista dos investidores, a diferença entre as duas empresas está principalmente no perfil de risco. A Frasle continua sendo vista como uma companhia mais defensiva, beneficiada pela forte presença no mercado de reposição e pela diversificação geográfica das receitas. Já a Randoncorp oferece potencial de valorização maior caso o ciclo econômico brasileiro volte a acelerar, mas ainda depende de sinais mais concretos de recuperação da demanda por veículos pesados.
Diante desse cenário, a XP manteve recomendação neutra para ambas as ações. Para os analistas, a Frasle segue se destacando pela resiliência operacional, enquanto a Randoncorp ainda precisa demonstrar uma inflexão mais clara dos resultados antes que uma visão mais otimista possa ser adotada.
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