O comportamento das ações brasileiras já começa a parecer uma bolha, aponta o Bank of America em um relatório enviado a clientes nesta terça-feira (17).
“Entre as muitas operações de rotação em jogo em 2026, as ações brasileiras têm prosperado particularmente”, opinam os analistas
Segundo o banco, a alta de quase 30% do índice EWZ (ETF iShares MSCI Brazil) desde 25 de setembro mostrou instabilidade semelhante a uma bolha.
As ações à vista e a volatilidade elevou a sua pontuação no Indicador de Risco de Bolha do BofA para aproximadamente 0,8, em uma escala de zero a 1.
As mineradoras de ouro e as ações de mercados emergentes estão apresentando uma dinâmica semelhante a uma bolha, entre os temas populares do mercado de ações.

O desempenho lembra o que ocorreu com outros ativos que subiram muito recentemente, como o ouro, prata e o índice sul-coreano Kospi.
“O risco de novas altas no Brasil permanece relevante, dado o ímpeto da rotação para os mercados emergentes e a relevância do país para o setor de commodities. No entanto, a crescente instabilidade nos preços, combinada com o risco de uma forte rotação de volta para as ações de tecnologia dos EUA, torna valioso aproveitar a assimetria de opções enquanto se acompanha a alta”, diz o BofA.
O que fazer?
Os analistas sugerem a operação com spreads de opções de compra com vencimento próximo que oferecem alta assimétrica enquanto mitigam a alta volatilidade.
“Gostamos de spreads de calendário de opções de compra do EWZ que compram opções de compra de março de 2026 e vendem opções de compra fora do dinheiro de julho de 2026”, explica o relatório.
Para o BofA, a operação tem um ponto de entrada atraente, dada a estrutura a termo de volatilidade “incomumente plana em níveis tão altos de volatilidade, e pode proporcionar uma participação resiliente na alta em cenários em que a estrutura a termo de volatilidade se ‘resolva’ de seu estado instável atual”.
Revisão de lucros
Em outra análise divulgada ontem, uma pesquisa do Bank of America com 30 gestores de fundos na América Latina, responsáveis por aproximadamente US$ 94 bilhões em ativos sob gestão, revelou um forte otimismo em relação ao mercado brasileiro: 74% dos participantes esperam que o Ibovespa encerre 2026 acima de 190 mil pontos, sendo que 30% projetam o índice acima de 210 mil pontos.
As expectativas para revisões de lucros melhoraram significativamente, com 53% agora esperando revisões positivas, ante apenas 17% no mês anterior.






