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Raia Drogasil: BTG reforça visão positiva com GLP-1, digital e expansão

Raia Drogasil: BTG reforça visão positiva com GLP-1, digital e expansão

Banco avalia que avanço do GLP-1, estratégia omnichannel, expansão da rede e ganhos de participação podem sustentar o crescimento da companhia

A Raia Drogasil (RADL3) segue bem posicionada para sustentar um ritmo forte de crescimento, na avaliação do BTG Pactual, apoiada pela expansão do mercado de GLP-1, pelo avanço da estratégia omnichannel e pela abertura de novas lojas.

Após encontros na Europa com executivos da RD Saúde, o banco afirmou ter reforçado sua visão positiva sobre a companhia e manteve recomendação de compra para RADL3, com preço-alvo de R$ 30 em 12 meses, ante cotação de R$ 20,34 considerada no relatório.

A análise destaca que o crescimento da rede não depende exclusivamente dos medicamentos GLP-1. Segundo o BTG Pactual, a recuperação das categorias de higiene e cuidados pessoais, os ganhos de participação de mercado e a evolução dos canais digitais também contribuem para uma perspectiva favorável.

O banco projeta receita de R$ 45,5 bilhões para 2026, avançando para R$ 52,3 bilhões em 2027 e R$ 58,7 bilhões em 2028.

GLP-1 pode ganhar escala com preços menores

Um dos principais pontos levantados pelo BTG Pactual é que a eventual redução dos preços dos medicamentos GLP-1 pode representar mais uma oportunidade do que uma ameaça para a Raia Drogasil. Para o banco, a variável decisiva é a elasticidade da demanda, ou seja, o quanto a queda dos preços pode estimular um aumento no volume vendido.

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Dados apresentados no relatório ajudam a sustentar essa leitura. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o índice de preço médio da semaglutida caiu de 100 para 78, enquanto a receita bruta associada ao produto subiu de 100 para 108. Na avaliação do BTG Pactual, o comportamento indica que o crescimento dos volumes pode compensar preços menores.

O banco também considera que o mercado brasileiro ainda apresenta baixa penetração. O país consome aproximadamente 1 milhão de unidades de GLP-1 por mês, enquanto cerca de 95,9 milhões de adultos são classificados como pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo os dados utilizados na análise.

A entrada de mais fabricantes e o desenvolvimento de novas moléculas e formulações poderiam ampliar esse mercado. Para o BTG, a escala, o poder de compra e a infraestrutura de cadeia refrigerada da Raia Drogasil colocam a companhia em posição relevante para capturar essa expansão.

Omnichannel transforma rede de lojas em vantagem competitiva

A estratégia omnichannel é outro dos principais argumentos da análise. O digital já representa 31% das vendas de varejo da Raia Drogasil e cresceu 52% na comparação anual no segundo trimestre de 2026. Do faturamento digital, 94% é gerado pelos canais próprios da empresa, enquanto 83% passa pelo aplicativo.

Para o BTG Pactual, esses números mostram que o digital funciona de forma complementar à operação física, e não apenas como substituto das lojas. Clientes omnichannel realizam, em média, 13 compras por ano, ante 7,3 compras entre consumidores exclusivamente físicos. A participação dos clientes omnichannel na receita também passou de 27% no segundo trimestre de 2024 para 41% dois anos depois.

Nesse contexto, as cerca de 3,7 mil lojas da companhia passam a funcionar também como pontos de distribuição, aquisição e relacionamento com clientes. Segundo o relatório, 96% dos pedidos digitais são entregues em até 60 minutos. O BTG entende que essa capilaridade pode ser difícil de replicar por concorrentes exclusivamente digitais e ajuda a Raia Drogasil a enfrentar o aumento da competição no comércio eletrônico.

Expansão e consolidação ainda oferecem espaço para crescimento

Apesar de deter aproximadamente 20% do mercado nacional, a Raia Drogasil ainda teria espaço para continuar ampliando participação, segundo o BTG Pactual. O banco chama atenção especialmente para a diferença de produtividade entre a companhia e outros participantes do setor farmacêutico.

Considerando as vendas médias por farmácia da RD como índice 100, as quatro redes seguintes da Abrafarma ficam em 70, enquanto outras redes alcançam 56. Além disso, farmácias independentes representam cerca de 16% do mercado, e unidades associadas ou franqueadas respondem por outros 25%, mostrando que o setor permanece fragmentado.

Esse cenário sustenta a previsão da administração de abrir entre 330 e 350 lojas em 2026. O desafio, segundo o BTG Pactual, será manter retornos atraentes conforme a empresa avança para regiões onde sua presença ainda é menor. O banco destaca, porém, que a alavancagem permanece controlada e projeta uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 0,9 vez em 2026, com queda para 0,6 vez em 2027.

Margens continuam no radar

Embora a perspectiva seja positiva, o BTG Pactual identifica riscos para a tese. A maior participação de GLP-1 nas vendas pode pressionar temporariamente a margem bruta, enquanto o avanço de concorrentes digitais pode intensificar a disputa de preços, especialmente nas categorias de higiene, beleza e cuidados pessoais.

Ao mesmo tempo, o banco espera melhora gradual da rentabilidade. A margem Ebitda é estimada em 8,2% para 2026, 8,7% em 2027 e 8,9% em 2028. O retorno sobre o capital investido, o RoIC, passaria de 20,8% em 2026 para 25% em 2027 e 27,5% em 2028, de acordo com as projeções apresentadas no relatório.

Para o BTG Pactual, a combinação entre crescimento do mercado farmacêutico, avanço omnichannel, novas lojas e expansão do segmento de GLP-1 sustenta uma perspectiva de crescimento estrutural para a Raia Drogasil.

A avaliação do banco é que a companhia pode continuar ganhando participação de mercado enquanto melhora gradualmente a qualidade e a rentabilidade de seus resultados, ainda que o cenário exija atenção à pressão competitiva e às margens.