As ações da Qualicorp (QUAL3) caem 6% nesta segunda-feira (25) após a empresa anunciar a troca do seu CEO, Maurício Lopes, por Eduardo Oliveira.
O executivo liderava um processo de transformação na empresa há três anos, e agora os analistas questionam a continuidade deste processo.
Lopes irá assumir a presidência do Conselho de Administração. Oliveira é o atual vice-presidente de Relações Institucionais, Jurídico, Relações com Entidades e Pessoas & Cultura.
Durante o período de transição, até 31 de agosto, ele atuará como vice-presidente executivo, assumindo parcela das operações e trabalhando em conjunto com Lopes.
“Desnecessário dizer que vemos o anúncio de forma negativa. Mauricio Lopes é um executivo altamente experiente, com sólido histórico no setor de saúde, tendo ocupado cargos na ANS, além de posições de alta liderança na SulAmérica e na Rede D’Or”, opinam os analistas do BTG Pactual.
Saída divide opiniões
Para o Bradesco BBI, contudo, a continuidade do ex-CEO no Conselho indica continuidade no direcionamento estratégico, especialmente no relacionamento com operadoras de saúde e na supervisão das iniciativas estratégicas.
“A transição preserva a agenda recente da companhia, centrada em eficiência operacional, reestruturação comercial e expansão do portfólio de produtos para sustentação do crescimento”, explicam os analistas.
Segundo ele, os investidores podem questionar os riscos de execução associados à manutenção e ao avanço desse processo de reestruturação sob um novo CEO.
“No geral, enquanto a proposta de valor dos planos de saúde por afinidade continua sendo amplamente questionada pelas seguradoras, sem sinais claros de um ponto de inflexão até o momento, mantemos recomendação neutra para a Qualicorp”, ressaltam.
Por fim, o BBI lembra que Eduardo Oliveira, por sua vez, já possui histórico relevante na companhia, com seis anos de atuação direta na concepção e execução do plano de turnaround, o que reforça a leitura de continuidade e reduz riscos de execução neste momento.
Operações
Os analistas do Safra ressaltam que, na frente operacional, a base de membros ainda não se estabilizou e a geração de caixa enfraqueceu nos últimos doze meses.
“Isso mantém a consolidação completa da reestruturação como o principal marco pendente da tese”, afirmam.
O Safra pondera, contudo, que o desenho da transição preserva a continuidade do plano de reestruturação, que continua sendo a pedra angular de nossa tese de investimento.
“Reconhecemos que a mudança na liderança introduz uma camada adicional de risco de execução a uma tese já bastante dependente da execução, mas a estrutura institucional anunciada, com Lopes permanecendo próximo à empresa e um sucessor familiarizado com a agenda estratégica, oferece uma garantia razoável de que o plano não será prejudicado”, concluem.
A recomendação de compra das ações foi mantida, com preço-alvo de R$ 3,50.
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