O banco BTG Pactual (BPAC11) avaliou que o desempenho operacional da Vale (VALE3) no segundo trimestre superou as expectativas, com destaque para a produção e as vendas de cobre, o que pode levar a um resultado financeiro entre 3% e 4% acima das projeções do banco para o período.
Segundo o relatório, o cobre foi o principal destaque do trimestre. Os embarques do metal alcançaram 97,6 mil toneladas, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025 e de 7% na comparação trimestral, superando em 4% as estimativas do BTG. A produção somou 98,4 mil toneladas, o melhor segundo trimestre desde 2017, impulsionada pelo desempenho recorde da mina de Salobo.
Além do maior volume, o preço realizado do cobre também surpreendeu positivamente. A Vale vendeu o metal por um preço médio de US$ 14.062 por tonelada, cerca de 3% acima da expectativa do banco, beneficiada por menores descontos de tratamento e refino e por ajustes favoráveis de preços.
Minério de ferro: segundo melhor trimestre desde 2018
No minério de ferro, a companhia registrou seu melhor segundo trimestre desde 2018. A produção atingiu 84,3 milhões de toneladas, enquanto os embarques totalizaram 79,7 milhões de toneladas, avanço de 3% em relação ao ano anterior e de 16% frente ao primeiro trimestre. O resultado foi sustentado pelo desempenho recorde do complexo S11D e pelo aumento da produção nos projetos Capanema e VGR1.
Os preços realizados do minério também ficaram acima das projeções. O minério fino foi vendido a um preço médio de US$ 95 por tonelada, cerca de 2% acima da estimativa do BTG, enquanto as pelotas alcançaram US$ 137 por tonelada, superando as expectativas em 4%, favorecidas por prêmios mais elevados.
O relatório também destacou o desempenho do níquel. Os embarques chegaram a 44,4 mil toneladas, crescimento de 7% na comparação anual e ligeiramente acima das projeções do banco. A produção alcançou 42 mil toneladas, o melhor segundo trimestre desde 2020, impulsionada pelo desempenho das operações de Onça Puma e Voisey’s Bay.
Para o BTG, o conjunto dos resultados demonstra que a Vale segue executando seu plano operacional de forma consistente e permanece alinhada às metas estabelecidas para 2026. O banco ressalta, no entanto, que o mercado deverá concentrar atenção nos custos da companhia no segundo trimestre, diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e despesas operacionais.
Apesar dessas pressões de curto prazo, o BTG manteve recomendação de compra para as ações da mineradora. O banco observa que os papéis acumulam queda de cerca de 20% desde as máximas registradas em abril, criando um ponto de entrada mais atrativo para investidores.
Vale negociada com desconto
Na avaliação dos analistas, a Vale continua negociada com desconto em relação ao seu potencial de crescimento, já que o mercado ainda precifica a companhia principalmente como uma produtora de minério de ferro, sem incorporar plenamente a expansão prevista para o negócio de cobre. A empresa projeta praticamente dobrar sua capacidade de produção do metal para cerca de 500 mil toneladas até 2030, podendo atingir aproximadamente 700 mil toneladas em 2035, o que a colocaria entre os maiores produtores mundiais de cobre.
O BTG também destacou que a combinação de execução operacional consistente, perspectiva favorável para os mercados de minério de ferro e cobre e um dividend yield estimado entre 8% e 9% para 2026 sustenta sua visão positiva para a companhia.
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