A prévia operacional da MRV (MRVE3) do segundo trimestre de 2026 revelou que a construtora somou R$ 469 milhões no primeiro semestre, impulsionada pela venda de ativos da Resia, dentro do plano de desalavancagem da companhia nos Estados Unidos, e pelo desempenho da operação brasileira de incorporação.
Na MRV Incorporação, as vendas líquidas somaram R$ 2,748 milhões em VGV no segundo trimestre, alta de 11,3% em relação ao primeiro trimestre e de 3,4% na comparação anual, totalizando 10,14 mil unidades, com ticket médio de R$ 271 mil.
Já os lançamentos somaram R$ 2,953 milhões em VGV, avanço de 1,3% no trimestre, mas queda de 14,4% frente ao segundo trimestre de 2025, com 10.679 unidades lançadas.
O banco de terrenos da incorporadora encerrou o período em R$ 40,9 bilhões em VGV, recuo de 1,1% no trimestre e de 6,8% em 12 meses.
Descompasso entre produção e repasses
A produção da MRV Incorporação atingiu 10,92 mil unidades no segundo trimestre, alta de 12,1% frente ao primeiro trimestre e de 10,6% na comparação anual. Os repasses, no entanto, somaram 9,8 mil unidades, deixando um gap de 1,11 mil unidades entre o que foi produzido e o que foi efetivamente repassado no período.
“Fechar o gap entre repasse e produção será o gatilho para destravar uma geração de caixa ainda mais forte”, afirma a companhia.
No mesmo trimestre, os preços de venda, para o mesmo mix de produtos, subiram em linha com a inflação, segundo a MRV&CO.
Geração de caixa em recuperação
No consolidado, a geração de caixa da MRV somou R$ 77,2 milhões no segundo trimestre, queda de 80,3% em relação ao primeiro trimestre, quando a companhia registrou R$ 391,6 milhões impulsionados pela venda de ativos da Resia, e recuo de 45,5% na comparação anual.
No acumulado do semestre, porém, o resultado consolidado somou R$ 468,8 milhões, revertendo o caixa negativo de R$ 235,1 milhões registrado no primeiro semestre de 2025.
Por divisão, a MRV Incorporação gerou R$ 121,1 milhões em caixa no trimestre, ante R$ 87,0 milhões no primeiro trimestre e caixa negativo de R$ 55,1 milhões um ano antes. A Resia contribuiu com R$ 26,7 milhões no trimestre, bem abaixo dos R$ 359,7 milhões do primeiro trimestre, mas ainda acima dos R$ 217,2 milhões do segundo trimestre de 2025. Já a Urba consumiu R$ 47,0 milhões em caixa, a Luggo R$ 11,6 milhões e a operação americana fora da Resia, R$ 11,9 milhões.
“A MRV Incorporação segue melhorando, a cada trimestre, sua geração de caixa operacional, excluídos os efeitos da cessão de recebíveis”, destaca a companhia.
Na série acumulada em 12 meses, o indicador saiu de um caixa negativo de R$ 741 milhões no primeiro trimestre de 2025 para um caixa positivo de R$ 116 milhões no segundo trimestre de 2026, variação de R$ 857 milhões. As cessões de recebíveis do trimestre, por sua vez, tiveram impacto líquido positivo de R$ 101,5 milhões na geração de caixa.
Leia também:
Resia reduz ativos legado
No segundo trimestre, a MRV firmou o compromisso de compra e venda dos empreendimentos legados Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos no Texas, nos Estados Unidos, pelo valor de US$ 139 milhões. Com a conclusão da transação, o total de ativos vendidos no primeiro semestre de 2026 deve atingir US$ 231 milhões, o equivalente a R$ 1,2 bilhão.
“Desde o anúncio do plano de desalavancagem, em dezembro de 2024, totalizamos US$ 380 milhões (R$ 2 bilhões) em ativos vendidos”, afirma a companhia.
A operação reduziu em 7,5% o endividamento líquido consolidado da MRV&CO, o equivalente a US$ 87 milhões (R$ 448 milhões), além de uma diminuição de US$ 46 milhões (R$ 237 milhões) em minority interest. Dos empreendimentos já marcados para venda, restam apenas o Memorial, com valor patrimonial de US$ 109 milhões e alienação prevista ainda para 2026, e o Golden Glades, com valor patrimonial de US$ 133 milhões, para o qual a companhia projeta lucro contábil na alienação.
Os dois empreendimentos também avançaram na ocupação ao longo do trimestre. O Memorial, em Atlanta, encerrou junho com 81% de locação, ante 326 das 476 unidades ocupadas em março, um avanço de 19%. Já o Golden Glades, em Miami, chegou a 79% de locação, com as unidades ocupadas saindo de 242 para 330, alta de 36% no período.
Melhor trimestre da história
A Urba, braço de loteamentos da MRV, registrou o maior volume de vendas de sua história para um segundo trimestre, com R$ 127 milhões em VGV, salto de 339,0% em relação ao primeiro trimestre e de 50,5% frente ao mesmo período de 2025. Foram 935 unidades vendidas, ante 162 no trimestre anterior e 504 um ano antes, com ticket médio de R$ 135 mil. O banco de terrenos da Urba somou R$ 5,4 bilhões em VGV, alta de 7,9% no trimestre e de 9,3% em 12 meses.
“A estratégia de crescimento da Urba será financiada por cessão de recebíveis e não depende de dívida corporativa para ser executada”, afirma a companhia.






