As petroleiras da bolsa brasileira vão conviver por mais dois meses com um sócio indesejado. O Comitê Executivo de Gestão da Camex prorrogou nesta quinta-feira (9) o imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto, e a leitura da XP Investimentos saiu no título: “negativo para as empresas produtoras de petróleo”, escreveu o analista Regis Cardoso.
A cobrança nasceu por medida provisória, dentro do pacote do governo para bancar as subvenções aos combustíveis, e estava perto de vencer.
A extensão vale por 60 dias, com revisão após os primeiros 30, e foi justificada pela piora geopolítica — a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã empurrou os preços internacionais para cima.
Como o imposto morde
O mecanismo tem um quê de ironia: a taxa pesa mais exatamente quando o barril sobe.
“O imposto de exportação reduz o preço realizado do petróleo pelos produtores, diminuindo sua exposição ao Brent e limitando os ganhos decorrentes de preços mais elevados da commodity”, explicou Cardoso.
Na prática, parte da alta que iria para o caixa das empresas fica com o governo. No ranking de dor, o tamanho importa.
“A Brava (BRAV3) continua sendo a companhia mais impactada dentro da nossa cobertura”, apontou o analista da XP — o efeito estimado para a petroleira é de US$ 18 milhões nos 60 dias, com o Brent a US$ 80, o equivalente a 1,1% do seu valor de mercado.
A conta de cada uma
Na sequência aparecem a PRIO (PRIO3), com perda estimada de US$ 74 milhões, ou 0,8% do valor de mercado, e a PetroReconcavo (RECV3), com US$ 4 milhões, ou 0,7%.
A Petrobras (PETR4) assina o maior cheque em termos absolutos — US$ 400 milhões —, mas, dado o seu porte, o impacto relativo é o menor da lista: 0,4%.
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