As ações da Pague Menos (PGMN3) sobem nesta sessão em reação ao resultado do primeiro trimestre de 2026, divulgado após o fechamento do mercado.
A rede de farmácias registrou desempenho operacional acima das expectativas, com Ebitda 9% superior à estimativa do banco Safra e lucro líquido que disparou 323% na comparação anual. O relatório é assinado pelos analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio.
Vendas e produtividade aceleram
A receita bruta totalizou R$ 4,1 bilhões no trimestre, alta de 14,4% na comparação anual e em linha com as projeções do Safra. O crescimento foi sustentado por uma combinação de expansão orgânica — 32 novas lojas abertas no período — e melhora consistente das vendas nas lojas maduras.
“O crescimento da receita foi sustentado por sólido desempenho nas mesmas lojas, com avanço de 13% na comparação anual e alta de 12,8% nas lojas maduras”, destacam Pini, Granello e Sartorio.
A produtividade média por loja avançou 12% no ano, chegando a R$ 818 mil mensais, contra R$ 729 mil no primeiro trimestre de 2025. O canal digital também ganhou relevância, respondendo por 22,2% da receita bruta — alta de 460 pontos-base no ano. Os genéricos lideraram o crescimento por categoria, com alta de 22,8%, seguidos pelos medicamentos de marca (+18,8%).
GLP-1 pesa no mix
Apesar do avanço da participação dos medicamentos GLP-1 nas vendas — de 3,9% no primeiro trimestre de 2025 para 9,1% no trimestre atual, categoria que tende a comprimir margens —, a empresa conseguiu expandir a rentabilidade.
“Apesar da maior participação do GLP-1 nas vendas, o mix melhorado com crescimento de 23% nas vendas de genéricos sustentou os ganhos de margem”, explicam os analistas.
A margem bruta avançou 72 pontos-base no ano, para 29,5%, beneficiada por melhores condições comerciais e uma base de comparação fraca em função de promoções realizadas no primeiro trimestre de 2025. O Ebitda somou R$ 205 milhões, com margem de 4,9%, expansão de 79 pontos-base no ano e 44 pontos-base acima da estimativa do Safra.
Caixa acende sinal de alerta
O lucro líquido foi o número mais surpreendente: R$ 55 milhões, alta de 323% no ano e 82% acima da estimativa do Safra de R$ 30 milhões.
“O lucro líquido totalizou R$ 55 milhões, explicado principalmente por créditos fiscais; sem esse efeito, o lucro ainda teria ficado 31% acima da nossa estimativa pelo desempenho operacional melhorado”, ressaltam Pini, Granello e Sartorio.
A alavancagem melhorou para 1,9 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda, ante 2,0 vezes no quarto trimestre de 2025.
O ponto de atenção fica por conta da geração de caixa.
“A queima de caixa deve ser monitorada de perto, com aumento de R$ 226 milhões na dívida líquida excluindo os recursos do follow-on e o pagamento de dividendos”, alertam os analistas.
O ciclo de caixa piorou seis dias no ano, pressionado pelo acúmulo de estoque de GLP-1 e pela abertura de um novo centro de distribuição na Paraíba. Apesar da superação operacional, o Safra classifica o resultado como neutro para as ações.
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