O Bradesco BBI manteve a recomendação neutra para BB Seguridade (BBSE3) após o resultado do primeiro trimestre de 2026, mesmo com lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, 5,1% acima da estimativa do banco e 2,6% acima do consenso de mercado.
Os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes destacam que o trimestre reforça tendências operacionais positivas, mas oferece pouco espaço para revisões altistas nas projeções para o ano.
O lucro líquido caiu 2,9% no comparativo trimestral e subiu 11,2% em base anual. O desempenho acima das projeções foi puxado por resultados financeiros mais fortes na Brasilprev e por receitas de corretagem 3% superiores ao previsto, impulsionadas por contribuições robustas em previdência e maior captação de títulos de capitalização da Brasilcap.
Balanço BB Seguridade: Brasilprev em destaque
A Brasilprev concentrou a melhor parte do trimestre, com contribuições brutas de R$ 14,6 bilhões, 5% acima do projetado, e contribuições líquidas de R$ 5,7 bilhões. O resultado foi favorecido por menor nível de resgates, forte captação em planos de contribuição esporádica e despesas operacionais mais baixas.
“O resultado foi positivamente influenciado por fatores financeiros e sazonais, como antecipação de contribuições anuais e menor custo do passivo, fatores que tendemos a ver como menos recorrentes ao longo do ano”, afirmou o Bradesco BBI.
Brasilseg em linha
Na Brasilseg, o lucro líquido ficou abaixo do projetado, impactado por resultado financeiro mais fraco, embora o desempenho operacional tenha vindo conforme o esperado. Os prêmios emitidos totais somaram R$ 3,9 bilhões, com alta de 3,2% no trimestre e queda de 2,3% no comparativo anual, dentro do guidance para 2026.
O índice de sinistralidade consolidado da seguradora piorou 3,3 pontos percentuais no comparativo trimestral, atingindo 23,9%. A deterioração refletiu maiores sinistros nas linhas rural e prestamista, e o aumento dos custos de aquisição compensou a melhora pontual da sinistralidade em algumas modalidades.
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Sem catalisadores
Para o Bradesco BBI, a combinação de fatores não recorrentes na Brasilprev com desempenho dentro do esperado na Brasilseg limita o potencial de revisões positivas nas projeções para o ano. O banco entende que a dinâmica de curto prazo é construtiva, mas insuficiente para alterar materialmente as estimativas para 2026.
“Mantemos recomendação neutra para BBSE3, refletindo valuation já mais equilibrado e ausência de catalisadores claros para revisões positivas adicionais no cenário atual”, escreveram os analistas.
A geração robusta da Brasilprev e a captação resiliente em corretagem mantêm o pano de fundo construtivo para a BBSE3, mas o ajuste de preço da ação ao longo dos últimos trimestres e a ausência de gatilhos novos sustentam a postura mais cautelosa do BBI para o restante do ano.






