O Bradesco BBI reiterou a recomendação de compra para Vale (VALE3) ao classificar a mineradora como uma das principais beneficiárias do cenário construtivo desenhado para o minério de ferro em 2026. A avaliação, assinada pelos analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes, sustenta-se em hedge elevado de frete e combustíveis, perfil de qualidade do produto e geração de caixa robusta mesmo a preços spot.
O preço do minério tem surpreendido o consenso ao se manter próximo a US$ 110 por tonelada, contrariando expectativas de enfraquecimento gradual.
Para o banco, o mercado segue equilibrado, sustentado por demanda mais resiliente do que o temido, crescimento limitado da oferta e elevação dos custos marginais via frete e energia.
Oferta apertada
Do lado da oferta, as grandes mineradoras indicam produção praticamente estável em 2026, e o projeto Simandou, na Guiné, deve maturar mais lentamente que o esperado. O BBI trabalha com risco de a operação ficar próxima a 10 milhões de toneladas no próximo ano, abaixo do consenso de mercado.
O conflito no Oriente Médio coloca pressão indireta ao mercado ao elevar fretes e preços de energia, empurrando o custo marginal do setor para cerca de US$ 100 por tonelada. Esse patamar, na leitura do banco, cria um piso mais alto para a cotação do minério.
“A combinação de crescimento limitado da oferta, maturação mais gradual de novos projetos, custos marginais mais elevados e demanda resiliente cria um piso mais elevado para os preços”, afirmou o Bradesco BBI.
Pelo lado da demanda, o banco projeta crescimento puxado por maior consumo de aço na Europa, Sudeste Asiático e Índia, com aumento combinado das importações em torno de 12 milhões de toneladas. Na China, a produção de aço deve permanecer praticamente estável no comparativo anual, apesar da tendência estrutural de queda no longo prazo.
O nível mais elevado de estoques portuários chineses, segundo o BBI, decorre de questões específicas de mix e logística, sem indicar deterioração da demanda. A tendência de maior teor de alumina e fósforo na oferta global, por sua vez, deve elevar o valor relativo dos minérios de maior qualidade e reforçar prêmios nesse segmento.
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Vantagens competitivas
Nesse cenário, a Vale aparece como destaque dentro da cobertura do banco. As características operacionais da mineradora a posicionam para capturar a alta dos preços com menor exposição à pressão inflacionária do que os pares.
“Destacamos a Vale como uma das principais beneficiárias dentro da cobertura, dado seu perfil de qualidade de produto e, sobretudo, o elevado nível de hedge de frete e combustível para 2026, que reduz significativamente a exposição à inflação de custos e permite maior captura do upside de preços”, escreveram os analistas.
A administração da Vale, conforme o relatório, segue confiante em operar próxima ao teto do guidance de custos. O valuation, na avaliação do BBI, permanece atrativo, com geração de caixa robusta mesmo a preços spot.
Com base nesses fundamentos, o banco reitera a recomendação de compra para VALE3, sustentada pelas dinâmicas do mercado de minério de ferro e pelas vantagens competitivas da mineradora frente aos concorrentes globais.






