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IRB tem lucro 13% abaixo do consenso, mas ações sobem

IRB tem lucro 13% abaixo do consenso, mas ações sobem

O IRB ($IRBR3) reportou lucro líquido de R$ 102 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 29% na comparação trimestral e de 14% no ano, ficando 13% abaixo do consenso de mercado. Apesar do resultado mais fraco, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para o papel, citando a correção de 20% nas ações […]

O IRB (IRBR3) reportou lucro líquido de R$ 102 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 29% na comparação trimestral e de 14% no ano, ficando 13% abaixo do consenso de mercado.

Apesar do resultado mais fraco, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para o papel, citando a correção de 20% nas ações desde as máximas de fevereiro como uma oportunidade de entrada. O relatório é assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

Impostos não recorrentes explicam o principal desvio

Na avaliação dos analistas, o desempenho operacional da resseguradora foi razoável — o problema veio de baixo da linha do Ebitda.

“Enquanto o resultado ficou 25% abaixo das nossas estimativas, os dados mensais da Susep já haviam sugerido um início mais fraco para o lucro em 2026”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.

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As despesas com impostos — PIS/Cofins e imposto de renda — foram o principal vetor negativo, com as contribuições indiretas subindo quase 90% no ano, para R$ 70 milhões, e a alíquota efetiva de imposto chegando a 37%, bem acima do esperado.

Os analistas destacam, porém, que a maior parte desse impacto parece ser não caixa, já que o patrimônio líquido ajustado cresceu cerca de R$ 100 milhões, sugerindo que o “lucro caixa” da companhia ficou mais próximo de R$ 175 milhões.

Sinistralidade melhora

Do lado positivo, a sinistralidade foi o principal destaque operacional.

“O índice de sinistralidade de 59%, 9 pontos percentuais melhor na comparação anual, foi o principal destaque positivo, reforçando a seleção disciplinada de riscos”, destacam os analistas.

Os prêmios emitidos totalizaram R$ 1,3 bilhão no trimestre, queda de 3% sequencial e alta de 3% no ano, 2% abaixo das estimativas. O crescimento foi sustentado pelas linhas de P&C (+6%), especialmente Propriedade, Riscos Especiais e outros segmentos, enquanto o segmento de Vida seguiu como um obstáculo, com recuo de 38% após o cancelamento de um contrato relevante em julho de 2024. O índice combinado ficou em 99% no trimestre.

Valuation mais atrativo

Com as ações acumulando queda de cerca de 2% no ano após a correção recente, o BTG vê o papel negociando a 6,8 vezes o lucro estimado para 2026 — um nível considerado mais atrativo.

“Continuamos a ver 2026 como um ano de transição, com os lucros ainda sustentados pela receita financeira, enquanto a empresa permanece bem posicionada e continua a executar novas iniciativas de negócios, plantando as sementes para um crescimento mais forte nos próximos anos”, concluem Rosman, Buchpiguel e Pascale.

A companhia anunciou ainda R$ 49 milhões em dividendos, equivalente a um yield de aproximadamente 1%, pagos em abril. O índice de solvência segue confortável em 287%, reforçando a solidez do balanço.