A parcela de assessores e consultores vinculados à XP que pretende aumentar a exposição de seus clientes à bolsa caiu para 20% em maio, recuo de 9 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Ao mesmo tempo, o sentimento em relação às ações piorou, passando de 7,4 para 7 na escala de avaliação da pesquisa. Os dados constam da edição de maio do levantamento mensal divulgado nesta quinta-feira (28).
O movimento ocorre em um contexto de maior alocação efetiva em renda variável, mas com menor disposição a novas compras — uma combinação que sugere cautela crescente entre os profissionais do setor.
Alocação sobe, mas apetite por mais risco recua
Em maio, houve uma migração de faixas de alocação mais baixas para mais altas. A parcela de respondentes com exposição entre 0% e 10% em renda variável caiu para 36% (-9 p.p.), enquanto a faixa de 10% a 25% subiu para 45% (+8 p.p.).
Nas faixas mais elevadas, também houve rotação: a faixa de 25% a 50% cedeu 5 pontos percentuais, com os recursos migrando para a faixa de 50% a 100%. Apesar da maior alocação, 75% dos assessores pretendem manter a posição estável — alta de 12 pontos percentuais no mês —, enquanto apenas 5% planejam reduzir a exposição.
Ibovespa com upside de apenas 8%
A estimativa média para o Ibovespa no fim de 2026 recuou de 196 mil para 191 mil pontos, implicando potencial de alta de apenas cerca de 8% em relação ao nível atual do índice, próximo de 176 mil pontos.
A proporção de assessores que atribuiu nota 7 ou superior ao sentimento para ações caiu 13 pontos percentuais, para 65%. O recuo reforça a leitura de que o otimismo com a bolsa arrefeceu, mesmo com a alta recente do mercado.
Renda fixa reforça liderança; internacional ganha espaço
O interesse em renda fixa subiu para 74% (+5 p.p.), mantendo a liderança como classe de ativo preferida dos clientes. Os fundos de renda fixa também avançaram de forma expressiva, com interesse chegando a 60% (+12 p.p.).
O interesse em ações recuou significativamente, para 51% (-11 p.p.), enquanto os investimentos internacionais ganharam espaço, alcançando 42% (+8 p.p.).
A valorização do real, com o dólar voltando à faixa de R$ 5,00, ainda não influenciou as decisões de alocação para a maioria dos clientes, segundo 57% dos assessores.
Eleições e risco fiscal dominam as preocupações
A instabilidade política e as eleições de 2026 lideram o ranking de preocupações, citadas por 68% dos respondentes. Os riscos fiscais no Brasil aparecem em segundo lugar, com 59% das menções.
Os riscos geopolíticos e a guerra no Oriente Médio ganharam destaque nesta edição, sendo apontados por 44% dos assessores — reflexo de uma preocupação crescente com o conflito na região e seus possíveis efeitos sobre os mercados globais.
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