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Oncoclínicas: recuperação financeira depende de boa geração de caixa; veja como

Oncoclínicas: recuperação financeira depende de boa geração de caixa; veja como

A recuperação financeira da Oncoclínicas (ONCO3) ainda permanece altamente dependente da execução bem‑sucedida da melhora da geração de caixa

A recuperação financeira da Oncoclínicas (ONCO3) ainda permanece altamente dependente da execução bem‑sucedida da melhora da geração de caixa e da reorganização da estrutura de capital, seja por meio do avanço nas negociações com credores ou de eventuais acordos societários ou financeiros. É o que avalia relatório sobre perfil de crédito da BB Investimentos sobre a companhia.

“Em síntese, a melhora do perfil de crédito da companhia está condicionada à efetiva implementação das iniciativas de reestruturação financeira, permanecendo riscos relevantes ao investidor até que seja alcançada uma solução estrutural capaz de reequilibrar sua base de capital”, diz trecho do relatório.

De acordo com o relatório, a deterioração do perfil operacional e financeiro da Oncoclínicas evidenciou o agravamento da percepção de risco, resultando em uma sequência de rebaixamentos de rating ao longo de 2025 e início de 2026, além de levar os auditores a considerarem uma incerteza relevante relacionada à sua continuidade operacional.

Cenário atual da Oncoclínicas

O relatório da BB Investimentos mostrou também que, no ano passado, a Oncoclínicas operou em um contexto de forte pressão operacional e financeira. A interrupção dos atendimentos à Unimed FERJ e a redução da exposição a clientes com prazos de pagamento mais longos e níveis superiores de inadimplência resultaram em um recuo de 7,8% da receita líquida, na comparação anual.

Com menor capacidade de diluição dos custos fixos e despesas operacionais significativamente mais elevadas, principalmente pelo reconhecimento de eventos não recorrentes relacionados a impairment, o Ebitda ajustado caiu mais de 30%, também na comparação anual. Assim, o resultado final acumulado do exercício foi um prejuízo de R$ 3,7 bilhões, ante um prejuízo de R$ 717,4 milhões em 2024, segundo reportou o relatório.

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Com relação à alavancagem, em 2025, foi homologado um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão, majoritariamente por meio da conversão de dívidas em capital, o que contribuiu para a redução de 33,0% da dívida bruta, que, ao final do exercício, totalizava R$ 3,3 bilhões (ex‑aquisições a pagar). No entanto, a posição de caixa e equivalentes foi impactada pela provisão dos CDBs mantidos junto ao Banco Master, no montante de R$ 430,9 milhões, pressionando a dívida líquida.

Há pouco mais de dez dias, a ONCO3 informou que estuda recorrer à Justiça para se resguardar de eventuais cobranças por parte de credores. A medida cautelar, ainda em fase de avaliação, tem como pano de fundo o risco de descumprimento de covenants financeiros — em especial o indicador de dívida líquida sobre Ebitda.

Em comunicado, a companhia ressaltou que não há decisão definitiva sobre a efetiva interposição do pedido, nem sobre o momento em que a ação poderia ser tomada.

A administração da empresa afirma seguir analisando diferentes alternativas para enfrentar a atual situação econômico-financeira, incluindo possíveis operações com terceiros que possam contribuir para o reequilíbrio de sua estrutura de capital.