Após disparar mais de 65% em um ano, The New York Times Company passa a ter potencial limitado no curto prazo, na avaliação do Bank of America, que iniciou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de US$ 84 por ação.
Apesar da visão mais cautelosa no horizonte imediato, o banco destaca que a empresa segue estruturalmente bem posicionada, após uma transformação de mais de uma década que a consolidou como uma plataforma digital multi-produto baseada em assinaturas. Esse reposicionamento permitiu a criação de um ecossistema robusto, ancorado pelo pacote All-Access, que combina jornalismo, produtos de lifestyle e ferramentas utilitárias.
Modelo resiliente
O desempenho recente reflete essa mudança estrutural. Em 2025, a companhia registrou crescimento de receita de 9,2% na comparação anual, acompanhado de expansão de margem de 190 pontos-base. Atualmente, cerca de 70% da receita vem de assinaturas, o que garante maior previsibilidade de fluxo de caixa e menor intensidade de capital.
Para os próximos anos, o Bank of America projeta crescimento anual composto (CAGR) de 7% na receita e de 14% no lucro operacional ajustado até 2028. Esse avanço deve ser sustentado pela expansão contínua da base de assinantes, melhora no desempenho publicitário e disciplina na gestão de custos.
Novas avenidas
Além das assinaturas, a publicidade digital tem ganhado relevância como vetor de crescimento. O banco destaca que, em 2025, o desempenho dessa divisão foi impulsionado por maior volume de impressões e forte demanda em segmentos de alto engajamento, como jogos e esportes, além de avanços na monetização.
Outro ponto em estágio inicial, mas com potencial relevante, é a estratégia de vídeo, que tende a ampliar o engajamento dos usuários e abrir espaço para inventário premium de anúncios. Paralelamente, a companhia também firmou um acordo de licenciamento de inteligência artificial com a Amazon, o que pode representar uma nova fonte de receita de alta margem no futuro.
Valuation em foco
Mesmo com fundamentos sólidos, o principal ponto de atenção está no valuation. Segundo o relatório, o múltiplo de Ebitda projetado para dois anos à frente subiu de cerca de 13 vezes para 17 vezes, refletindo a forte valorização recente das ações.
Atualmente, os papéis são negociados a aproximadamente 17 vezes o Ebitda estimado para 2027, um nível considerado próximo do justo pelo banco. Embora ainda haja um leve desconto em relação a pares de streaming e mídia esportiva, a margem de valorização adicional é vista como limitada no curto prazo.






